quinta-feira, abril 3, 2025
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Amazonas – CPI da Saúde sofre duas liminares judiciais.

Com duas liminares de deputados que questionam a legalidade de sua composição, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde está ameaçada e, os 30 dias de trabalhos podem ser perdidos, caso não se resolva rápido essa questão.

O ponto de discórdia é o regimento interno da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), especificamente o artigo 24, que trata da composição dos membros da CPI. Os deputados do PP, Álvaro Campelo, Belarmino Lins e Dra. Mayara, e do Patriotas, Felipe Souza, se sentem alijados pelo presidente da casa, deputado Josué Neto (PRTB), e o acusam de ter atropelado o documento máximo do Legislativo estadual.

Atualmente a comissão é composta pelos deputados delegado Péricles (PSL) que é o presidente, Fausto Júnior (PRTB), relator e os membros Serafim Corrêa (PSB), Dr. Gomes (PSC) e Wilker Barreto (Podemos).

Felipe Souza ajuizou mandado de segurança no último dia 2, no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) pedindo a suspensão da composição dos membros da CPI  e que seja reconhecido o seu direito de fazer parte da comissão. O pedido foi atendido pelo desembargador Ernesto Chixaro no dia 16 quando suspendeu o colegiado que tem 15 dias para apresentar defesa nos autos.

Argumentos

Felipe vem afirmando constantemente durantes seus pronunciamentos nas sessões virtuais da Aleam que senão fosse por ele que foi o oitavo a assinar a CPI da Saúde ela não existiria. De acordo com ele, o presidente Josué Neto não teria observado o critério de desempate definido pelo regimento. O parlamentar justifica ainda que tem direito a uma vaga na comissão porque é o mais idoso dentre aqueles com igual quantidade de indicações.

O parlamentar foi um dos indicados pelo bloco partidário composto pelos partidos PRTB, PSL, Patriota, PSDB e Republicanos, que teria direito a duas vagas na comissão. Durante a reunião do colegiado de líderes, houve duas indicações em favor do deputado Fausto Júnior (PRTB) e uma indicação para cada um dentre os deputados Felipe Souza, Delegado Péricles (PSL) e João Luiz (Republicanos).

Pelo critério de idade, o líder do Patriotas, que tem 48 anos, é o mais velho entre os outros três deputados que tiveram uma indicação – Delegado Péricles tem 42 anos e João Luiz tem 47 anos – e de acordo com o Regimento Interno deveria ser o escolhido, uma vez que esse é o “primeiro critério de desempate previsto pela alínea “b” do inciso IV do artigo 24”, que diz:  “b) na hipótese de coincidência, tem preferência Partido de maior quociente partidário e, a seguir, o deputado mais idoso”.

Segunda suspensão

No início da noite de quinta-feira, 18 de junho, foi a vez da juíza Onilza Abreu Gerth, que foi convocada para atuar como desembargadora, que concedeu liminar em mandado de segurança e determinou a suspensão da indicação dos membros da CPI da Saúde. A magistrada atendeu o pedido feito pelos deputados do PP, Belarmino Lins, Mayara Pinheiro e Álvaro Campelo.

De acordo com Belão, o pedido de mandado de segurança não é para “barrar” a CPI, mas para que o regimento interno seja cumprido. O partido tem três parlamentares, e devido ao quociente partidário, ele afirma que o Progressista tem o direito de indicar um representante, que no caso é a presidente da Comissão de Saúde da Aleam, deputada Dra. Mayara Pinheiro.

A magistrada acatou as alegações dos deputados de que as regras para a composição da CPI foram infringidas na medida em que não seguiram os trâmites previstos no artigo 24, inciso V. Em trecho da decisão, a juíza afirma: “(…) Ao compulsar detidamente os autos, aliados aos documentos que o acompanham, constato a possibilidade de deferimento do pleito preliminar. Isto porque, segundo os impetrantes, as normas acerca do processamento das Comissões Parlamentares de Inquérito foram infringidas na medida em que a instalação e a formação da denominada ‘CPI da Pandemia’ não seguiram os trâmites previstos no art. 24, inciso IV do Regimento Interno da Aleam”.

Já os parlamentares alegam que a presidência do Legislativo estadual aplicou erradamente interpretação dos dispositivos do Regimento Interno (artigo 24, II e III) e definiu duas vagas na CPI para o bloco partidário do presidente da Assembleia, Josué Neto, ao invés da única vaga a que esse bloco teria direito, comprometendo a regra da proporcionalidade partidária no Regimento Interno.

Segundo o artigo 24, II e III diz o seguinte:

II – o número de Deputados da Bancada ou do Bloco Partidário é dividido pelo resultado da operação anterior, obtendo-se o quociente partidário, que representa o número de lugares a ser indicado pela liderança da Bancada ou Bloco, em cada Comissão;

III – as sobras que se verificarem no quociente partidário, são levadas em conta, da maior para a menor, a favor dos Partidos;

A magistrada relatora ainda mandou citar o presidente da Aleam, Josué Neto definindo prazo de 10 dias para que preste as informações que julgar necessárias em relação ao conteúdo do mandado de segurança impetrado pelos três parlamentares e intimou o presidente da CPI, deputado Péricles (PSL), para que se manifeste, no prazo de 15 dias.

Péricles prepara defesa

O presidente da CPI da Saúde, deputado delegado Péricles disse que espera que a legitimidade da comissão seja em breve reconhecida pela justiça. Na próxima semana ele vai se manifestar nos autos apresentando a defesa para que os trabalhos da comissão retornem o mais rápido possível e que não seja necessário formar uma nova comissão.

Questionado sobre os pleitos dos deputados Felipe Souza e Mayara Pinheiro da base governista que lutam para conseguirem vagas entre os titulares da CPI, Péricles preferiu ser cauteloso.

“A minha manifestação é para que a legitimidade da atual comissão seja definitivamente reconhecida pela Justiça. Caso isso não aconteça, é cedo ou difícil prever como ficará a nova composição da CPI”, afirmou.

De acordo com Péricles, a base governista tem feito movimento significativo para alterar a atual composição da CPI, mesmo após dois procedimentos de escolha dos membros e inúmeros resultados obtidos por meio do trabalho transparente e isento.

“A atual composição tem feito isso por meio de posicionamento correto dos seus atuais integrantes, independentemente de ser oposição ou situação é isso mostra o quanto há determinação para dar repostas à sociedade. Diante de tanto movimento por parte da base, vejo que intenção diferente possa haver quanto ao processo direcionado ao atual governo.


Érica Barbosa
Érica Barbosa
Assistente social, Prof.a mestra em saúde, empresária e pesquisadora
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