Nos últimos cinco anos, o preço médio de venda de imóveis residenciais no Brasil subiu 25,8%, um aumento que supera em mais de duas vezes o crescimento do salário médio do trabalhador. O levantamento, feito pelo R7 com base no Índice FipeZap, mostra que um apartamento de 45m², que custava R$ 323.820 em 2019, passou para R$ 407.418,75 em 2024. Enquanto isso, a renda média do brasileiro cresceu apenas 10,18%, passando de R$ 2.927 para R$ 3.225, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE.
A defasagem entre os salários e os preços dos imóveis torna a aquisição da casa própria cada vez mais difícil para grande parte da população. Segundo o economista Hugo Garbe, do Mackenzie e da G11 Finance, a disparidade evidencia uma deterioração na acessibilidade habitacional. “Este fenômeno é exacerbado em contextos inflacionários, nos quais a inflação diminui o poder de compra ao aumentar o custo de vida, afetando diretamente todas as camadas da população”, explica Garbe.
O professor ainda destaca que, com o descompasso entre os preços dos imóveis e os salários, o sonho da casa própria fica cada vez mais distante. “Essa defasagem implica na necessidade de um maior esforço financeiro para a aquisição de uma residência, seja por meio de economias pessoais ou de financiamentos de longo prazo”, afirma.
Endividamento crescente
Para driblar essa barreira financeira, muitos brasileiros recorrem ao financiamento imobiliário, que pode durar décadas. Garbe alerta que, apesar de possibilitar o acesso à moradia, esse tipo de crédito pode levar ao endividamento prolongado. “O financiamento compromete uma parcela significativa da renda familiar ao longo de muitos anos, podendo dificultar outras conquistas financeiras”, diz o economista.
O aumento da inflação também impacta a capacidade de compra dos brasileiros. Segundo dados recentes, a inflação oficial do país acumula alta de 5,06% nos últimos 12 meses, acima dos 4,56% registrados nos 12 meses anteriores. Esse cenário torna ainda mais difícil para os trabalhadores acompanharem a alta dos preços no setor imobiliário.
O outro lado do aumento imobiliário
Apesar das dificuldades impostas pela valorização dos imóveis, há aspectos positivos nesse movimento. A corretora Rachel Pena aponta que o aquecimento do setor gera empregos e movimenta a economia. “A construção civil é um dos setores que mais geram postos de trabalho, e a valorização dos imóveis impulsiona investimentos”, explica.
Daniel Claudino, também especialista em mercado imobiliário, reforça que a alta dos preços é um benefício coletivo. “A expectativa é que os imóveis se valorizem com o tempo, o que é positivo para compradores, vendedores e construtoras. Uma deflação no setor poderia gerar um efeito negativo para a economia”, avalia.
Possíveis soluções
Para equilibrar o mercado e tornar a moradia mais acessível, especialistas sugerem algumas soluções. Hugo Garbe defende a ampliação de programas habitacionais populares, o subsídio de taxas de juros para financiamentos de baixa renda e o aumento da oferta de terrenos urbanizados. “Essas medidas ajudariam a reduzir o déficit habitacional e a garantir condições de financiamento mais favoráveis aos trabalhadores brasileiros”, conclui o economista.
A implementação de políticas de controle de preços para evitar a especulação imobiliária também é apontada como uma solução viável. Além disso, maior transparência e competitividade no setor poderiam contribuir para um mercado mais justo e acessível.