A nova gasolina E30, que contém um maior teor de etanol na mistura do combustível, apresentou desafios para determinados modelos de motocicletas durante testes conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). A Associação Brasileira dos Fabricantes de Ciclomotores (Abraciclo) apontou que algumas unidades falharam na partida a frio ao utilizar o novo combustível.
Apesar das falhas registradas, o IMT minimizou os impactos da nova formulação. Segundo Luana Camargo, representante do instituto, as diferenças observadas nos testes não são impeditivas para a adoção da gasolina E30. Ela acrescentou que a alteração no teor de etanol não compromete a dirigibilidade dos veículos nem altera significativamente seu desempenho.
Especialistas explicam que o etanol possui um poder calorífico menor em comparação à gasolina. Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), esclarece que o poder calorífico refere-se à quantidade de energia que um combustível libera ao ser queimado completamente. “O motor a combustão precisa de maior esforço para queimar etanol em relação à gasolina, especialmente em temperaturas mais baixas. Isso justifica a presença do antigo ‘tanquinho de partida a frio’ em modelos flex”, afirmou Gonçalves.
Outro impacto dessa característica é a variação no consumo dos veículos. Como o etanol possui aproximadamente 70% do poder calorífico da gasolina, os motoristas tendem a observar uma redução na autonomia quando utilizam combustíveis com maior teor de etanol na mistura. Ou seja, para percorrer a mesma distância, um veículo abastecido com E30 pode precisar de mais combustível do que quando está com gasolina pura no tanque.