sábado, março 7, 2026
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Fungo resistente causador de micose extensa foi identificado no Brasil

No Brasil, o primeiro caso de infecção foi identificado em 2023, em um paciente que retornou de uma viagem para Londres, na Inglaterra

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Imagine contrair uma micose aparentemente inofensiva, mas que, com pouco tempo, se espalha por diversas partes do corpo, causando lesões inflamatórias e dolorosas. E pior: mesmo após meses de tratamento com medicamentos prejudiciais, a infecção sempre retorna. Essa é a realidade dos pacientes afetados pelo Trichophyton indotineae , um fungo altamente resistente que tem causado surtos preocupantes em diversas partes do mundo.

No Brasil, o primeiro caso de infecção foi identificado em 2023, em um paciente que retornou de uma viagem para Londres, na Inglaterra. A descoberta foi feita por pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Universidade de São Paulo (USP) e publicada recentemente na revista Anais Brasileiros de Dermatologia .

Fungo resiste desafios aos tratamentos tradicionais

Diferente de outros dermatófitos, o Trichophyton indotineae não responde aoresistente ao tratamento convencional , explica Gilnão responde ao tratamento convencional com terbinafina, medicamento considerado o “padrão ouro” para micoses de pele. “Até então, a gente não tinha isolado esse fungo no Brasil. Ele causa uma infecção teórica resistente ao tratamento convencional”, explica Gil Benard, coordenador do Laboratório de Micologia Médica do IMT-USP.

O caso brasileiro despertou a atenção dos especialistas da Santa Casa de São Paulo. Liderados pelo dermatologista John Verrinder Veasey, os médicos que atenderam o paciente notaram a recorrência da infecção mesmo após diversas tentativas de tratamento. Com a suspeita de um fungo resistente, o material foi enviado ao IMT para análise mais detalhada.

O diagnóstico foi confirmado por meio de sequenciamento genético , já que a identificação microscópica tradicional não permite diferenciar a espécie. Após diversas abordagens terapêuticas, o paciente apresentou melhorias apenas após um tratamento alternativo mais específico.

O papel das mudanças climáticas e do uso de antifúngicos

A transmissão de fungos resistentes como o Trichophyton indotineae pode estar relacionado aprodutospode estar relacionado a fatores como as mudanças climáticas e o uso excessivo de antifúngicos e pesticidas. Maria da Glória Sousa, professora do Departamento de Dermatologia da USP e coautora do estudo, alerta para os riscos do uso desses produtos.

“Muitos pesticidas usados ​​na agricultura ou até mesmo em pet shops possuem estrutura química semelhante aos antifúngicos usados ​​em humanos. O contato frequente pode levar ao desenvolvimento de resistência”, explica a pesquisadora.

Além disso, a automedicação também é um fator preocupante. Segundo Benard, muitas pessoas compram antifúngicos descritos sem receita médica, muitas vezes combinados com corticóides. Essa prática pode mascarar os sintomas, dificultando o diagnóstico e favorecendo mutações no fungo.

Uma nova ameaça global

Embora o gênero Trichophyton cause infecções de pele comuns, a nova variante representa um desafio para médicos e pesquisadores. Em países como a Índia, Estados Unidos e diversas nações europeias, a doença já é considerada uma ameaça emergente.

“Com esse fungo, não dá mais para pensar ‘ah, isso é bobagem, comprar um remédio na farmácia e resolver’. O uso inadequado dos antifúngicos pode estar contribuindo para a disseminação dessa nova espécie, que já não responde bem ao tratamento tradicional”, alerta Benard.

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