Um incidente chocante ocorreu no bairro Colônia Terra Nova, em Manaus, no Amazonas, envolvendo uma briga entre estudantes e a intervenção violenta de um adulto. As imagens, que viralizaram nas redes sociais, mostram uma mãe agredindo uma adolescente após uma disputa entre jovens. Pela parte da tarde de segunda-feira (31), uma mãe foi gravada incentivando que sua filha agredisse outra adolescente no meio da rua. As duas estudantes ainda estavam fardadas com o uniforme da escola.
Em seguida, a própria mulher aparece agredindo a adolescente com socos e tapas. A menina chega a cair no chão e, mesmo assim, continua sendo agredida. Um morador que filmou a situação chegou a gritar, indignado, diante da cena. Com a repercussão do vídeo, a mãe da adolescente espancada, junto com outras pessoas, foram atrás da agressora. Em outros vídeos, é possível perceber o momento em que a mulher também recebe socos, puxões de cabelo e chutes.
Violência escolar
O caso reacendeu o debate sobre o bullying e a violência escolar. O professor Dalmir Salazar, que possui ampla experiência no ensino médio, alerta que a violência dentro e fora das escolas não é um problema restrito às periferias.
“A sociedade como um todo, em todas as esferas, tem suas formas de violência, umas mais evidentes e outras mais veladas. Isso é um problema social e até cultural. A mãe agiu de forma errada, mas movida por uma violenta emoção ao ver seu filho sofrendo preconceito ou algum tipo de violência física ou psicológica. A escola tem a responsabilidade de trabalhar essa temática e estabelecer regras para combater comportamentos inadequados. Mas os pais e a família têm um papel fundamental em estabelecer valores morais e éticos de respeito pelas outras pessoas”, explica o educador.
Ainda segundo Salazar, é essencial diferenciar a escola como um ambiente onde a violência se manifesta, mas não como a geradora desse problema. Ele enfatiza a necessidade de uma parceria efetiva entre família e escola na educação dos alunos.
“O problema não está apenas na mãe que agrediu, mas também na família que não ensinou limites e respeito aos filhos. A escola é apenas o espaço onde a violência, no caso o bullying, se manifestou. Essa não é uma violência da escola, mas uma realidade da nossa sociedade. A família precisa ser participativa e atuante na vida dos filhos”, ressalta.
Viralização da violência
O professor Jezanias Souza chama atenção para a viralização da violência na internet e os impactos emocionais para as vítimas e seus familiares.
“O compartilhamento de imagens de agressões nas redes sociais tem se tornado um tema delicado e controverso. Por um lado, pode chamar atenção para situações de violência e injustiça, mas por outro, pode causar danos emocionais irreparáveis às vítimas e suas famílias. Neste caso específico, é importante considerar que a situação envolve uma disputa entre jovens e uma mãe agredindo uma adolescente”, pontua.
Outro aspecto preocupante foi a escalada do caso após a repercussão nas redes sociais. A violência gerou uma reação em cadeia, chegando a envolver grupos criminosos que buscaram retaliar a agressora.
“A escalada da situação com a retaliação de líderes de uma facção local torna a questão ainda mais complexa. É fundamental lembrar que o compartilhamento de imagens de violência pode perpetuar um ciclo de agressão e revitimização”, alerta Souza.