Uma operação realizada pela Ronda Ostensiva Cândido Mariano (ROCAM) nesta sexta-feira (4) revelou um esquema criminoso de comércio ilegal de mercúrio em Manaus. A substância, altamente tóxica e com uso controlado, é frequentemente utilizada de forma clandestina em garimpos de ouro. A ação teve início após uma denúncia anônima sobre um possível sequestro no bairro Parque 10 de Novembro, zona Centro-Sul da capital amazonense.
De acordo com a denúncia, três veículos suspeitos estariam estacionados ao lado de um estabelecimento comercial, com possíveis vítimas em seu interior. Os policiais da ROCAM foram ao local e localizaram os veículos descritos: uma Mitsubishi L200 Triton cinza (PHR1229), uma Chevrolet Montana vermelha (TAE9A17) e um Honda HR-V preto (PHI0J92). Funcionários do comércio indicaram que os proprietários dos carros estavam dentro da loja.
Ao entrarem no local, os agentes abordaram seis homens. Durante a revista pessoal e a inspeção dos veículos, os policiais encontraram dois cilindros contendo mercúrio metálico, também conhecido como azougue. O material é altamente tóxico e tem seu uso rigidamente regulado por órgãos ambientais e de saúde. Sua presença no local levantou fortes indícios de tráfico de substâncias químicas controladas, prática ilegal e perigosa tanto para o meio ambiente quanto para a saúde pública.
Apesar de a suspeita inicial de sequestro não ter se confirmado, a operação resultou em uma importante apreensão. Os seis indivíduos abordados, todos brasileiros e sem antecedentes criminais, foram levados à Superintendência Regional da Polícia Federal no Amazonas (SR/PF/AM), onde prestaram depoimento. Eles permanecem à disposição da autoridade policial para a apuração dos fatos e demais procedimentos legais.
Além dos cilindros de mercúrio, os policiais apreenderam seis celulares de alto valor – entre eles iPhones 13, 11, 14 Pro Max e um Samsung Galaxy A05 – e os três veículos usados pelos suspeitos. Todo o material será submetido à perícia técnica, e a investigação ficará sob responsabilidade da Polícia Federal, que buscará identificar a origem do mercúrio e se há uma rede criminosa maior envolvida.
A comercialização e o uso de mercúrio em garimpos ilegais são práticas combatidas com rigor por autoridades ambientais e policiais. O produto químico, ao ser utilizado na separação de ouro, contamina rios, prejudica a fauna e flora aquáticas e representa risco severo à saúde humana. O mercúrio se acumula em peixes, que acabam consumidos por populações ribeirinhas, indígenas e comunidades tradicionais.