Parintins (AM) – Em meio às luzes, alegorias e espetáculos grandiosos do Festival Folclórico de Parintins 2025, uma mensagem simples, porém poderosa, percorreu as ruas da ilha: “Não estou no palco, mas existo.” O cartaz, carregado pelo indígena Janilson da Silva, do povo Sateré-Mawé, rompeu a estética do folclore e escancarou a distância entre a celebração da cultura e a invisibilidade cotidiana dos povos originários.
Nas redes sociais, Janilson publicou um desabafo que viralizou rapidamente. “Aqui em Parintins, todo mundo ama ver o indígena… desde que ele esteja no palco. Mas e quando ele tá na fila? Ou quando ele pede ajuda para estudar? Aí ele desaparece”, desabafa.
O indígena completou: “Milhares de pessoas viajam pra cá pra viver um espetáculo. Eu viajei pra lembrar que a nossa realidade não é cenográfica. Enquanto muitos vivem a fantasia, eu continuo lutando.”
A fala, contundente, expõe uma contradição cada vez mais debatida: o indígena celebrado nas encenações dos bois Garantido e Caprichoso, com danças e trajes ritualísticos, muitas vezes não tem espaço na vida real — nem voz nas decisões políticas ou sociais da região.
Durante o festival, o símbolo do indígena se transforma em alegoria central, exaltado em coreografias e itens de competição. No entanto, para Janilson, a realidade fora do Bumbódromo revela outra face: a da exclusão, do preconceito velado e da romantização que não encontra reflexo em políticas públicas ou respeito cotidiano.
O ato solitário de caminhar com o cartaz pelas ruas turísticas de Parintins não passou despercebido. Diversas pessoas observaram o Satere comentaram o episódio de demonstração de coragem, parabenizando a iniciativa do jovemz
“Não é contra o festival. É sobre lembrar que a cultura não pode nos transformar em símbolos e esquecer que somos pessoas”, disse um torcedor do Garantido.
“Realmente é preciso ter esse olhar. Parabéns ao jovem pela coragem de ir às ruas e mostrar essa realidade”, disse Paulo Ricardo, torcedor dos bumbás que visita a ilha pela primeira vez.


