
Pela primeira vez na história, mais da metade da população brasileira com 10 anos ou mais (53,5%) acessou a internet por meio de televisões em 2024. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua): Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O crescimento, impulsionado pelo avanço das Smart TVs e plataformas de streaming, reflete mudanças no comportamento digital do país. No entanto, a região Norte, incluindo o Amazonas, enfrenta desafios de infraestrutura e desigualdade digital, com indicadores abaixo da média nacional.

O estudo revela que 53,5% dos brasileiros conectados à internet (cerca de 89,8 milhões de pessoas) usaram TVs para acessar a rede, um salto significativo em relação aos 11,3% em 2016 e 32,2% em 2019. O analista do IBGE, Gustavo Fontes, destaca que o crescimento está ligado à popularização de serviços de streaming, presentes em 43,4% dos domicílios brasileiros.
O celular permanece o principal dispositivo, usado por 98,8% dos internautas, enquanto tablets têm adoção marginal (8,3%). A pesquisa também aponta que 89,1% da população com 10 anos ou mais (168 milhões de pessoas) acessou a internet nos últimos três meses de 2024, e 93,6% dos domicílios (74,9 milhões) estavam conectados, com 94,7% em áreas urbanas e 84,8% em áreas rurais.
Desafios da Região Norte
Na região Norte, o acesso à internet é o menor do país, com apenas 88,2% da população com 10 anos ou mais conectada, contra 93,1% no Centro-Oeste e a média nacional de 89,1%. Dos domicílios da região, 84,8% têm internet, significativamente abaixo dos 95,6% do Sudeste. No Amazonas, a situação é agravada por barreiras geográficas e de infraestrutura, especialmente em áreas rurais e comunidades ribeirinhas.
Embora o IBGE não detalhe o uso de TVs para internet por estado, a penetração de serviços de streaming na região Norte (39,8% dos domicílios) sugere que o acesso por TV é inferior à média nacional de 53,5%. Em Manaus, a conectividade é mais robusta, com cerca de 92% dos domicílios conectados, impulsionada pela infraestrutura urbana e pela adoção de Smart TVs. Já em áreas rurais do Amazonas, apenas 79,3% dos domicílios têm internet, limitando o uso de TVs para acesso à rede.
Impacto na educação
Em 2024, o percentual de pessoas que utilizaram a Internet foi de 92,4% no grupo dos estudantes e de 88,4% entre os não estudantes. Em relação ao ano anterior, houve maior aumento do uso da Internet entre os não estudantes (1,3 ponto percentual) enquanto entre os estudantes a alta foi de 0,5 ponto percetual.

Enquanto 97,0% dos estudantes da rede privada utilizaram a Internet em 2024, esse percentual entre os estudantes da rede pública de ensino foi de 90,0%.



