sábado, março 7, 2026
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MPF e PF desmantelam esquema de cursos de mestrado e doutorado ilegais em Rondônia

Instituições e responsáveis são acusados de lesar estudantes com cursos falsos de mestrado e diplomas fraudados

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Instituições e responsáveis são acusados de lesar estudantes com cursos falsos de mestrado e diplomas fraudados (Divulgação)

O Ministério Público Federal (MPF), com apoio da Polícia Federal (PF), desarticulou um esquema de oferta de cursos de mestrado e doutorado sem autorização do Ministério da Educação (MEC), operado por instituições privadas em Vilhena (RO) e outras localidades. Uma ação civil pública, com pedido de liminar, foi ajuizada para suspender imediatamente as atividades e exigir indenização aos alunos prejudicados e à sociedade.

As investigações apontam que os cursos eram ofertados com falsas promessas de titulação por universidades brasileiras e estrangeiras, utilizando publicidade enganosa e emitindo diplomas falsificados. A estrutura envolvia instituições como a Unidade de Mediação de Ensino Superior para a Amazônia (Umesam), hoje chamada de Instituto de Pesquisa Educacional em Ensino Superior e Pós-Graduação (IPE); a Faculdade Santo André (Fasa), ligada à Associação Multidisciplinar de Rondônia (Multiron); e a empresa Amazônia Educação e Cultura (AEC). Sete pessoas físicas ligadas às entidades também foram processadas.

Esquema operava desde 2014

De acordo com o MPF, entre 2014 e 2020, os investigados montaram uma estrutura empresarial com aparência legal, mas sem credenciamento junto ao MEC. Os cursos oferecidos incluíam áreas como educação, administração, saúde e engenharia. As instituições alegavam parcerias com universidades como:

  • Universidade Tiradentes (Unit)

  • Universidade Fernando Pessoa (Portugal)

  • Universidad de Desarrollo Sustentable (Paraguai)

  • Universidade Visión Educacional (Chile)

  • Universidade Estadual da Bahia (Uneb)

  • Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

  • Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

As investigações demonstraram que essas parcerias não existiam formalmente. Os cursos eram divulgados por sites, redes sociais, panfletos e eventos públicos, com promessas de titulação em 12 meses, aulas nos fins de semana, preços acessíveis e reconhecimento nacional e internacional.

Diplomas falsificados e bancas simuladas

Segundo o MPF, os diplomas eram emitidos sem validade legal, e alguns traziam indevidamente os nomes da UFMG e da PUCRS, que negaram qualquer vínculo com os cursos. Alunos relataram que pagaram até R$ 22 mil, somando mensalidades e taxas para participar de bancas de defesa e emissão de certificados.

As chamadas bancas de TCC eram organizadas na sede da Fasa, com participação apenas de representantes da Umesam/IPE, sem presença de docentes das universidades citadas nas propagandas.

Pedido do MPF

Na ação civil pública, o MPF solicita que a Justiça:

  • Proíba os réus de ofertarem cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) sem autorização do MEC;

  • Suspenda imediatamente as atividades, sob pena de multa diária de R$ 10 mil;

  • Declare a nulidade dos diplomas emitidos de forma irregular;

  • Determine o pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 300 mil;

  • Garanta a reparação dos prejuízos individuais aos alunos mediante comprovação.

Ação penal e falsificação

Além da ação civil, sete pessoas foram denunciadas criminalmente por associação criminosa (art. 288 do Código Penal), estelionato (art. 171) e falsificação de documento público (art. 297). Em um dos casos citados, após a descoberta do esquema, os responsáveis teriam tentado convencer os alunos da legitimidade dos diplomas, chegando a enviar documentos falsificados em nome da Reitoria da UFMG – a falsidade foi confirmada pela própria universidade em ofício oficial.

A ação tramita na Justiça Federal sob o número: 1002100-76.2025.4.01.4103.

O MANAÓS busca contato com as instituições e reforça que o espaço é aberto para devidas manifestações ou esclarecimentos.

(*) Com informações da assessoria

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