O Rio de Janeiro registrou 9.976 casos de tuberculose até agosto de 2025, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde. O número representa um aumento em relação aos anos anteriores: foram 16 mil casos em 2021 e 18,5 mil em 2024. Somente na capital, já são 5.856 casos neste ano, com destaque para a Zona Oeste, especialmente o bairro de Bangu, que concentrou 913 notificações.
A tuberculose é considerada uma doença “socialmente determinada”, diretamente associada a condições precárias de moradia, saneamento e habitação. Além disso, o aumento de registros reflete a ampliação da capacidade de diagnóstico, o que permite identificar mais pacientes e interromper a cadeia de transmissão.
Transmissão e sintomas
Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a doença se espalha pelo ar quando a pessoa infectada tosse, fala ou espirra. Um único paciente pode transmitir o agente a até 15 pessoas. Entre os principais sintomas estão tosse persistente por mais de três semanas, febre no fim da tarde, suor noturno, perda de peso, cansaço, falta de apetite e dor no peito.
O tratamento da tuberculose é oferecido gratuitamente nas Clínicas da Família do Rio de Janeiro e dura, no mínimo, seis meses. Ele consiste no uso de antibióticos específicos para eliminar a bactéria.
Um dos principais desafios é o abandono do tratamento por pacientes que sentem melhora após os primeiros meses. A interrupção é perigosa porque pode gerar resistência bacteriana e manter a transmissão ativa. Para enfrentar esse problema, a Prefeitura do Rio criou uma estratégia de acompanhamento domiciliar, em que agentes de saúde entregam os medicamentos diretamente nas casas, garantindo maior adesão.
Prevenção e recomendações
Autoridades de saúde recomendam que pessoas com tosse persistente por duas a três semanas procurem atendimento médico imediatamente. Durante a fase contagiosa, pacientes são orientados a evitar contato próximo com outras pessoas e se afastar temporariamente do trabalho.
Especialistas reforçam que combater a tuberculose vai além da esfera médica e exige melhorias nas condições de vida da população, com políticas públicas voltadas a moradia, saneamento e alimentação adequada.


