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França enfrenta greve histórica após corte de orçamento do governo Macron

Mais de 250 protestos paralisam o país em reação a cortes de € 43,8 bilhões previstos no orçamento de 2025

A França vive, nesta quinta-feira (18), uma greve geral de dimensões históricas, convocada por oito grandes centrais sindicais, entre elas a CGT, CFDT e FO. A mobilização é contra o plano orçamentário do governo de Emmanuel Macron, que prevê cortes de cerca de € 43,8 bilhões em serviços públicos, salários, pensões e programas sociais.

De acordo com estimativas sindicais, até 900 mil pessoas participam de mais de 250 manifestações em todo o país, com Paris como epicentro. Na capital, a principal marcha começou na Praça da Bastilha e seguiu até a Praça da Nação, reunindo dezenas de milhares de manifestantes. A greve é considerada a maior desde os protestos de 2023 contra a reforma da previdência.

Paralisações em massa

Os efeitos foram sentidos em setores essenciais. Transportes ferroviários e urbanos (SNCF e RATP) registraram paralisações severas em trens, metrôs e linhas do RER. Nas escolas, 45% dos professores aderiram à greve, e 90 colégios ficaram fechados apenas em Paris. Hospitais e farmácias também reduziram o funcionamento, com 80% a 90% dos estabelecimentos fechados na região de Île-de-France. Na aviação, a greve dos controladores aéreos foi suspensa, mas outra mobilização está marcada para outubro.

Bloqueios de estradas e interrupções de serviços públicos agravaram o impacto no cotidiano dos franceses, especialmente nas regiões metropolitanas.

Confrontos

Apesar do caráter majoritariamente pacífico dos atos, confrontos foram registrados em várias cidades. Até o meio-dia, a polícia havia detido mais de 140 pessoas, incluindo 21 em Paris, por bloqueios e enfrentamentos com as forças de segurança. Em Marselha, Lille e na Praça da Nação, na capital, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar grupos de manifestantes mascarados ligados ao movimento “Bloquons Tout” (“Bloqueiem Tudo”).

O governo mobilizou 80 mil policiais e gendarmes para conter possíveis distúrbios.

A paralisação ocorre em meio a uma crise política. No último dia 15, o então primeiro-ministro François Bayrou deixou o cargo após derrota na Assembleia Nacional, sendo substituído por Sébastien Lecornu, o terceiro premiê em menos de um ano.

Os sindicatos acusam Macron de enfraquecer o funcionalismo público e o sistema de bem-estar social, enquanto reivindicam aumentos salariais, a indexação de pensões à inflação e mais investimentos em serviços básicos.

O movimento traz à tona lembranças dos protestos dos “coletes amarelos” e pode se estender, já que agricultores anunciaram novas ações para 26 de setembro.

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