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A Geração Z amazônida e a Política que ainda Vive no Século Passado

Por Érica Lima
Pesquisadora qualitativa, jornalista, estrategista de marketing político e CEO de O Convergente Pesquisas.

Há uma constatação que dispensa meias-palavras: a classe política do Amazonas ainda faz política como antigamente. Reuniões fechadas, acordos de gabinete, discursos repetidos e uma crença ultrapassada de que o eleitor ainda se convence com promessas vagas e abraços de campanha. Só que o eleitor mudou  e poucos perceberam.

A política amazonense insiste em não ouvir, e quando ouve, não compreende. Fala-se muito em marketing político, mas esquece-se do essencial: as palavras são anzóis. Elas capturam sentimentos, valores e percepções. Mas, nesta eleição de 2026, serão muitos anzóis para poucos peixes. A rejeição, cada vez mais consciente, está sendo transferida para o voto em branco, o nulo e o silêncio apático dos indecisos. A descrença virou comportamento.

Diferente dos números frios das pesquisas quantitativas, a pesquisa qualitativa mergulha no imaginário coletivo. Ela revela o que o eleitor sente, teme, espera e aquilo que o gráfico não mostra. Cada fala, cada pausa e cada contradição carrega um sinal do tempo político. E é justamente essa escuta sensível que separa o marketing que manipula daquele que compreende o eleitor.

A política sem pesquisa qualitativa é como navegar sem bússola em rio revolto: pode até avançar, mas sem direção. Só a escuta profunda é capaz de traduzir o que o povo quer dizer quando já não quer mais falar.

É nesse cenário que surge Érica Lima, pesquisadora e assessora política que transformou o campo qualitativo em ferramenta estratégica. A mulher da pesquisa qualitativa no Amazonas entende que política não é sobre convencer, é sobre compreender. É sobre interpretar o que está nas entrelinhas, o gesto, o tom de voz e o silêncio.

A pesquisa, quando bem conduzida, não serve apenas para medir intenções, mas para revelar verdades. E o político que ignora essas verdades está fadado ao fracasso. Porque o Amazonas de hoje é outro: conectado, atento e cansado das velhas narrativas.

O Novo Cenário: Redes, Jovens e a Geração Z Amazonense

As redes sociais chegaram de vez ao interior do estado. Os jovens amazonenses, filhos da floresta e da internet, formam a Geração Z amazônida, conectada ao mundo e impaciente com a política arcaica. Eles não querem ser coadjuvantes; querem voz, causa e pertencimento. E o mais importante: quando se fala de caciques políticos, esses jovens não sabem nada sobre eles.

Esse novo eleitor está criando um movimento silencioso, como o que surgiu em países distantes, do Nepal às ruas digitais do Brasil: o movimento de quem não aceita mais a política como teatro. A Geração Z não se apaixona por slogans; ela busca identificação com coerência e propósito.

E o que eles querem ouvir? Essa é a pergunta que só a pesquisa qualitativa pode responder. 

Ela não adivinha, ela traduz. Traduz porque compreender o eleitor é mais do que saber o que ele diz: é entender por que ele diz o que diz.

E nesta eleição de 2026, entre tantos anzóis lançados, só quem souber lançar a palavra certa, no rio certo, na hora certa, poderá pescar a confiança perdida.

Érica Barbosa
Érica Barbosa
Assistente social, Prof.a mestra em saúde, empresária e pesquisadora
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