A morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, gerou revolta e mobilizou investigações após a família denunciar que o menino recebeu uma aplicação de adrenalina por via intravenosa no Hospital Santa Júlia, em Manaus. O caso, que ocorreu entre sábado (23) e a madrugada de domingo (24), é tratado como suspeita de erro médico e já está sob apuração da Polícia Civil.
De acordo com os pais, a criança havia sido levada à unidade de saúde por estar com tosse seca e possível quadro de laringite. Eles relatam que, durante o atendimento, uma médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa — procedimento que, segundo a família, Benício nunca havia recebido antes.
“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, relatou Bruno.
De acordo com o pai, Benício apresentou piora imediata após receber a primeira dose.
“Ele empalideceu na hora. Ficou branco, os pés amarelaram, o nariz ficou vermelho, os olhos também. Ele se contorceu e disse: ‘Mãe, meu coração está queimando’”, lembrou.
Pouco depois, segundo a família, o menino entrou em parada cardiorrespiratória e não resistiu, mesmo após tentativas de reanimação.
A Polícia Civil abriu investigação para apurar a conduta dos profissionais envolvidos, a substância administrada, possível erro de dosagem e se a via utilizada para administração da adrenalina foi adequada ao quadro clínico da criança.
Hospital afasta médica e técnica e divulga nota oficial
O Hospital Santa Júlia divulgou uma nota oficial sobre o caso, afirmando ter concluído a investigação interna e garantido que repassará todas as informações às autoridades e à família. Ainda segundo a unidade hospitalar, a médica e a técnica de enfermagem, responsáveis pelo atendimento, permanecem afastadas de suas atividades.
Veja a nota na íntegra:
“O Hospital Santa Júlia informa que as investigações internas sobre o falecimento do menor, ocorrido em 23 de novembro de 2025, foram concluídas pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente.
A médica e a técnica de enfermagem, responsáveis pelo atendimento, permanecem afastadas de suas atividades, conforme medida adotada durante o processo de apuração.
Todas as informações levantadas serão formalmente repassadas às autoridades competentes e à família.
Reforçamos que desejamos conduzir todo o processo com total transparência, oferecendo apoio à família em tudo o que for necessário.
Seguimos comprometidos com a segurança do paciente, a ética e a responsabilidade assistencial que orientam a atuação da instituição.
Sabemos da gravidade e sensibilidade do caso. A instituição reconhece a dor da família e da sociedade, e trabalha com seriedade e transparência, guiada pela responsabilidade técnica, pelo respeito e pelo compromisso com a segurança do paciente.
Hospital Santa Júlia
Manaus, 26 de novembro de 2025.”


