A Venezuela vive um dos momentos mais duros em termos de repressão estatal dos últimos anos, afirmam organizações de direitos humanos, em meio ao isolamento crescente do governo de Nicolás Maduro e ao aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe.
Dados da ONG venezuelana Provea apontam que outubro registrou o maior número de ações repressivas desde o início da escalada diplomática entre os dois países: 54 pessoas foram detidas, muitas delas com vínculos ou proximidade com a líder opositora María Corina Machado.
Marino Alvarado, coordenador da organização, afirma que o cenário reflete uma política voltada a “instalar o medo na população”. Ele destaca ainda o agravamento da situação nos presídios, marcados pela superlotação e punições direcionadas contra presos políticos.
O comitê de direitos humanos do movimento oposicionista Vente Venezuela relatou à CNN que 2025 representa uma mudança no padrão das ações do Estado — saindo das grandes operações de repressão e passando a medidas mais pontuais e direcionadas.
Segundo Orlando Moreno, presidente da comissão, o governo tem adotado sequestros políticos e prisões seletivas com o objetivo de “desarticular a liderança da oposição”.
Ele avalia que esse método tende a se intensificar caso avance o impasse militar entre Caracas e Washington.
“Hoje, o foco não é mais encher cadeias, mas enfraquecer a capacidade de articulação, silenciando figuras que podem mobilizar as pessoas”, afirmou. “A legislação tem sido convertida em instrumento de disputa política.”
*Com informações da CNN
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