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Testemunhas apontam possível tentativa de adulteração em prescrição após morte de Benício, afirma delegado; defesa nega

Delegado afirmou que ao menos três testemunhas relataram uma possível tentativa de manipulação de provas

O delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e responsável pelo inquérito que apura a morte do menino Benício Freitas, de 6 anos, afirmou que ao menos três testemunhas relataram uma possível tentativa de manipulação de provas por parte da médica Juliana Brasil, que atendeu o paciente no Hospital Santa Júlia. A declaração foi dada nesta quinta-feira (4/12).

“Nós temos três testemunhas que apontaram essa situação e que eu trouxe a público, uma vez que todos os advogados estão tendo acesso a todos os depoimentos. Então, essas circunstâncias foram apontadas por três testemunhas no sentido de que a médica teria tentado obter acesso à prescrição médica original para suprimi-la e editar os dados no sistema, para que não aparecesse o fato dela ter prescrito errado a adrenalina pela via de endovenoso e não pela via de nebulização”, declarou o delegado, durante uma entrevista à imprensa.

Já o advogado Felipe Braga, responsável pela defesa da médica, rebateu as afirmações e disse que a profissional não manipulou qualquer prova. Ele afirmou que toda a documentação presente no processo foi enviada pelo próprio hospital.

“Todas as documentações vieram do hospital. Não há nenhuma manipulação. Nada foi apagado’, declarou.

Causa da morte é contestada

Felipe Braga também contestou a versão de que Benício teria morrido em decorrência de superdosagem de adrenalina. Segundo ele, a morte ocorreu por broncoaspiração — quando alimento ou líquido entra nos pulmões — durante a tentativa de intubação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

De acordo com o advogado, o menino foi encaminhado à UTI consciente e chegou a comer e conversar com os pais, o que, segundo ele, demonstra que não houve reação adversa imediata à adrenalina.

Defesa aponta demora na intubação

O representante da médica afirmou ainda que houve demora no procedimento de intubação. Braga relatou que três médicos tentaram realizar o procedimento após a meia-noite e que Benício só foi intubado por volta de 0h20, mais de 12 horas após a administração da adrenalina.

Durante esse período, segundo ele, o menino foi monitorado, hidratado e recebeu atendimento contínuo da equipe de saúde.

Investigação continua

A Polícia Civil segue ouvindo novas testemunhas e aguardando laudos periciais que deverão esclarecer a cronologia do atendimento e as causas da morte. Nesta quinta-feira (04/12), foi realizada uma acareação entre a médica e a técnica de enfermagem envolvidas na morte da criança.

Benício Xavier de Freitas, de seis anos, veio a óbito no dia 22 de novembro deste ano, no Hospital Santa Júlia, em Manaus. Segundo o delegado Marcelo Martins, o caso agora conta com quatro linhas principais de investigação.

A primeira apura a possível responsabilidade da médica; a segunda, da técnica de enfermagem; a terceira analisa falhas estruturais do hospital. A quarta linha, revelada apenas na manhã de ontem, investiga a possibilidade de que Benício tenha sido vítima de um erro durante o procedimento de intubação.

“Essa hipótese já vinha sendo examinada, mas novos elementos surgidos recentemente reforçaram a necessidade de aprofundar essa vertente. Desde o início, a Polícia Civil se comprometeu em investigar todas as possibilidades e continuamos buscando esclarecer a responsabilidade de todos que, eventualmente, possam ter contribuído para a morte do Benício”, afirmou o delegado.

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