Uma decisão da 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) derrubou condenações impostas a um grupo acusado de integrar um esquema de agiotagem no interior paulista e determinou a soltura de sete investigados. Após a liberação dos réus, no fim de novembro, vítimas relataram ter voltado a receber ameaças de morte e cobranças com juros elevados para quitar supostas dívidas.
Em uma das mensagens enviadas por WhatsApp, os autores afirmam que “os donos já estão na ativa novamente” e avisam sobre a atualização dos juros em razão de atraso no pagamento, reforçando o tom intimidatório usado contra as vítimas.
A decisão do TJSP deve ser contestada pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira, que prepara embargos de declaração para questionar pontos considerados inconsistentes no julgamento.
Segundo investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Franca, a quadrilha atuava ao menos desde 2020, concedendo empréstimos com taxas abusivas e cobrando os valores por meio de ameaças e violência. Evanderson Lopes Guimarães, apontado como líder do esquema, teria estruturado uma rede de empresas e comparsas para atrair vítimas e garantir a cobrança das dívidas.
As apurações também indicaram o envolvimento de um policial civil, acusado de acobertar as práticas criminosas e participar das extorsões. As prisões ocorreram em novembro de 2023, no âmbito da Operação Castelo de Areia.
Em primeira instância, as penas aplicadas aos acusados somavam mais de 143 anos de prisão. No entanto, ao anular as condenações, o relator do caso, desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, entendeu que as provas não eram suficientes para caracterizar a existência de uma organização criminosa, desconsiderando elementos apresentados pela acusação.
*Com informações do Metrópoles


