Morreu na madrugada desta sexta-feira (26), em Salvador, Mãe Carmen Òṣàgyían, ialorixá do Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, conhecido como Terreiro do Gantois, uma das mais tradicionais casas de candomblé do Brasil. Ela tinha 98 anos e estava internada no Hospital Português. A causa da morte não foi divulgada.
Mãe Carmen liderava há 23 anos o Terreiro do Gantois, casa de origem iorubana fundada em 1849, no bairro da Federação, na capital baiana. Filha mais nova de Mãe Menininha do Gantois, uma das mais importantes lideranças religiosas do país no século 20, Mãe Carmen era herdeira de uma linhagem fundamental para a preservação e difusão das religiões de matriz africana no Brasil.
Ela assumiu a condução da casa em 2002, após a morte da irmã, Mãe Cleusa, que comandava o terreiro desde o falecimento de Mãe Menininha, em 1986. Ao longo de mais de duas décadas à frente do Gantois, Mãe Carmen foi reconhecida pelo perfil discreto, pela firmeza espiritual e pelo cuidado com a comunidade religiosa.
Em nota, a Associação de São Jorge Ebé Oxóssi, ligada ao Terreiro do Gantois, destacou a trajetória da ialorixá. “Mãe Carmen nasceu para o sagrado”, afirmou a entidade, ressaltando sua dedicação à tradição, à fé e ao legado ancestral da casa.
A morte de Mãe Carmen representa uma grande perda para o candomblé e para a cultura afro-brasileira, encerrando um capítulo importante da história de uma das casas religiosas mais simbólicas do país. Informações sobre velório e sepultamento ainda não foram divulgadas.




