A cantora Ludmilla ingressou na Justiça contra o vereador de Manaus Coronel Rosses (PL) após declarações feitas por ele na tribuna da Câmara Municipal, em outubro de 2025. A artista pede indenização de R$ 70 mil por danos morais e retratação pública, alegando ter sido alvo de acusação falsa durante discurso relacionado ao festival Sou Manaus Passo a Paço 2025, do qual foi uma das atrações.
O processo tramita na 1ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho da Comarca de Manaus. Na ação, a defesa da cantora sustenta que o parlamentar imputou a ela a prática do crime de “aliciamento de crianças” ao criticar gastos da Prefeitura com o evento realizado em setembro.
Durante a sessão legislativa, Rosses afirmou: “Não sabemos ainda, vereador Sabino, quanto a Ludmilla embolsou para vir aqui aliciar nossas crianças”. A fala foi gravada, compartilhada nas redes sociais e ganhou repercussão nacional.
Os advogados da artista argumentam que não há qualquer prova ou indício que sustente a acusação e que a declaração extrapolou os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar. Segundo a petição, a fala teve caráter calunioso e difamatório, causando prejuízos à honra, à imagem e à dignidade da cantora, com reflexos em sua vida pessoal e profissional. A defesa ressalta ainda que Ludmilla nunca respondeu a investigações ou processos criminais.
A controvérsia teve origem nas críticas do vereador aos gastos do festival Sou Manaus 2025. Rosses questionou a transparência da Prefeitura quanto aos valores pagos aos artistas e citou a Lei Municipal nº 595/2025 (mencionada pela defesa como nº 593/2025), que proíbe o uso de recursos públicos para contratação de artistas cujas apresentações incentivem conteúdo de cunho sexual ou possam gerar constrangimento ao público.
O que diz o vereador?
Na sessão desta terça-feira (10), o parlamentar voltou a comentar o caso e reafirmou seu posicionamento. “A cantora Ludmilla entrou com uma ação contra mim pedindo uma indenização de 70 mil reais. Ela acha que eu ofendi a honra dela por eu ter afirmado que ela veio em Manaus aliciar crianças. Vejam só a inversão de valores que nós temos, ela me processou por eu ter dito a verdade”, declarou.
Rosses também afirmou que pretende solicitar audiência presencial no processo e informou ter ingressado com uma ação popular questionando os gastos do evento. “Eu tenho certeza que a Justiça amazonense não vai passar esse pano quente, porque o imposto do contribuinte não é para financiar pornografia em praça pública”, disse.
O caso segue em tramitação e ainda não há decisão judicial sobre o pedido de indenização e retratação.




