Lucas Pinheiro Braathen fez história neste sábado, 14 de fevereiro de 2026, ao conquistar a medalha de ouro no slalom gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. Com o tempo total de 2min25s nas duas descidas, o atleta garantiu a primeira medalha olímpica de inverno do Brasil.

O nome completo não é detalhe. Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas carrega nos sobrenomes a representação das duas nacionalidades. Nascido em Oslo, ele sempre manteve forte ligação com o Brasil, especialmente com o interior de São Paulo, onde vive parte da família materna.
Apesar de ter se desenvolvido no esqui europeu, foi no Brasil que construiu sua relação afetiva com o esporte. Cresceu jogando futebol nas ruas paulistas e se inspirando em ídolos como Ronaldinho, Ronaldo Nazário e Neymar. Mais do que os títulos, o que o atraía eram as histórias por trás das conquistas.
Antes de optar por defender o Brasil, Lucas já era um dos principais nomes do esqui alpino mundial. Campeão da Copa do Mundo de slalom na temporada 2022-23, acumulou vitórias representando a Noruega, tradicional potência da modalidade. Em 2023, anunciou aposentadoria precoce após divergências com a federação norueguesa envolvendo autonomia profissional e direitos de imagem.
Meses depois, surpreendeu ao retornar às competições vestindo as cores brasileiras. A decisão teve peso estratégico, por oferecer maior liberdade na condução da carreira, e também simbólico, ao representar a oportunidade de abrir espaço para o esporte de inverno em um país sem tradição na neve.

Os resultados vieram rapidamente. Em novembro de 2025, venceu a etapa de Levi, na Finlândia, tornando-se o primeiro brasileiro a conquistar uma prova da Copa do Mundo de esqui alpino. Em janeiro de 2026, voltou ao pódio em Schladming, na Áustria, consolidando-se entre os líderes do ranking mundial nas provas técnicas.
No slalom gigante, prova que exige precisão e potência em duas descidas de alta velocidade, milésimos de segundo fazem a diferença. Em Milão-Cortina, Lucas manteve regularidade e agressividade nas curvas, confirmou o favoritismo e transformou expectativa em ouro.
O título tem peso histórico. Até então, o Brasil jamais havia conquistado medalha em Jogos Olímpicos de Inverno. A vitória amplia os horizontes do esporte nacional e coloca o país, ainda que simbolicamente, no mapa das potências da neve.
Com a bandeira brasileira no peito, Lucas Pinheiro Braathen não apenas venceu uma prova. Ele inaugurou um novo capítulo na história olímpica do Brasil.


