sábado, março 7, 2026
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Fim de proteção contra pneus importados pode impactar empregos em Manaus

Decisão do governo libera entrada de produtos da China, Índia e Vietnã no mercado brasileiro

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A decisão do governo federal de encerrar a proteção comercial contra pneus de bicicleta importados da China, Índia e Vietnã pode impactar diretamente o Polo Industrial de Manaus e a cadeia produtiva da borracha na Amazônia. Segundo informações da Revista Cenarium, 1,3 mil empregos diretos podem ser afetados.

A medida foi divulgada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (19) após auditoria identificar inconsistências fiscais na única fabricante nacional de pneus de bicicleta instalada em Manaus, a Michelin.

O Departamento de Defesa Comercial (Decom) apontou divergências entre notas fiscais e registros contábeis, além de inconsistências no uso do Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP), comprometendo a validade do processo de antidumping. A empresa informou que algumas faturas manuais teriam sido “esquecidas” pelo sistema informatizado, mas as irregularidades resultaram no encerramento da proteção comercial.

Com a suspensão da medida, pneus importados com preços considerados predatórios passam a ter maior espaço no mercado brasileiro. O documento aponta que os produtos chineses apresentam margem de dumping de 145,82%. Segundo a fabricante, o cenário pode tornar a operação em Manaus inviável, afetando não apenas a indústria, mas também a cadeia produtiva da borracha natural na região.

A fábrica no Amazonas é a única produtora de pneus de bicicleta da América Latina e também fabrica pneus de motocicletas, ampliando o impacto econômico da decisão. Atualmente, o processo industrial envolve sete etapas técnicas, incluindo o banbury — etapa em que as matérias-primas são transformadas em massa homogênea — e a vulcanização, responsável por garantir resistência e elasticidade ao produto.

A produção utiliza borracha natural e sintética, fio de aço, tecido náilon e produtos químicos. Parte da matéria-prima é adquirida de extrativistas amazônicos, cuja atividade contribui para a conservação de cerca de 145 mil hectares de floresta nativa. Mais de 600 famílias de seringueiros podem ser impactadas caso a produção local seja reduzida.

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