HomeNotíciasCláudia Gusmão pode se tornar a primeira mulher general do Exército Brasileiro

Cláudia Gusmão pode se tornar a primeira mulher general do Exército Brasileiro

Coronel médica pernambucana tem quase 30 anos de carreira na área de saúde militar e aguarda formalização da promoção pelo presidente Lula

A indicação da coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho ao generalato representa um marco inédito nos quase 400 anos de história do Exército Brasileiro. Se a promoção for confirmada por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela se tornará a primeira mulher a alcançar o posto de oficial-general na instituição.

Natural do Recife (PE), Cláudia tem 57 anos, é médica pediatra e ingressou no Exército em 30 de janeiro de 1996, inicialmente como oficial temporária no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia. Em 1998, concluiu o Curso de Formação de Oficiais Médicos na Escola de Saúde do Exército, consolidando a carreira na área de saúde militar.

Formada em Medicina pela Universidade de Pernambuco (UPE), realizou residência em Pediatria no Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP). Ao longo da trajetória acadêmica, também concluiu pós-graduação em Administração Hospitalar e MBA em Gestão Estratégica de Saúde pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Carreira na saúde militar

Em quase três décadas de serviço, ocupou funções estratégicas na estrutura de saúde da Força. Foi chefe do Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar, subdiretora de Legislação e Perícias Médicas da Diretoria de Saúde e chefiou a Divisão de Perícias Médicas da Inspetoria de Saúde do Comando Militar do Nordeste. Também atuou como adjunta da Inspetoria de Saúde do Comando da 9ª Região Militar.

No comando de unidades hospitalares, dirigiu o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande. Mais recentemente, exerceu a função de subdiretora técnica do Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro.

Na formação militar, concluiu o Curso de Aperfeiçoamento na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), em 2007, e o Curso de Comando e Estado-Maior de Serviços na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), em 2013.

Reconhecimentos e avanço feminino

Entre as condecorações recebidas estão a Medalha Militar de Prata, a Medalha do Pacificador, a Medalha Marechal Hermes de Bronze com uma Coroa, a Medalha Marechal Osório – O Legendário e a Ordem do Mérito Militar no grau de Oficial, além do Distintivo de Comando Dourado.

A promoção ao generalato foi aprovada em votação secreta pelo Alto-Comando do Exército e depende agora de formalização pelo Palácio do Planalto.

O avanço ocorre em um contexto de ampliação da presença feminina nas Forças Armadas. Em 2025, o Exército promoveu, pela primeira vez, mulheres à graduação de subtenente. No mesmo ano, a instituição iniciou a preparação para o ingresso das primeiras mulheres soldados no Serviço Militar. Mais de 33 mil mulheres se alistaram, e a incorporação das selecionadas está prevista para março de 2026.

Caso confirmada, a promoção de Cláudia Gusmão representará um novo capítulo na trajetória de inclusão feminina nas Forças Armadas brasileiras.

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