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Eleição 2026 deve repetir polarização e ainda carece de definições, avalia Helso Ribeiro

Professor analisa cenário nacional, possível reeleição de Lula e viabilidade de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial

Com as convenções partidárias previstas para os próximos meses, o cenário da eleição presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais visíveis, embora ainda marcado por indefinições. Para o professor Helso Ribeiro, o momento exige cautela, mas alguns padrões históricos ajudam a compreender o provável desenho da disputa.

Professor universitário, advogado, presidente da Comissão de Relações Internacionais da OAB/AM e articulista político, Helso chama atenção para a recorrência da presença do Partido dos Trabalhadores nos segundos turnos desde a redemocratização.

“Se pegarmos o processo de redemocratização, da eleição que elegeu o presidente Fernando Collor para cá, vemos que, em todas as disputas de segundo turno, o PT esteve presente, ficando em primeiro ou segundo lugar”, observa.

Após a eleição de Fernando Collor, o país elegeu Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro. Com exceção das duas vitórias de Fernando Henrique ainda no primeiro turno, todas as demais disputas foram decididas na segunda etapa.

“Custo a crer, numa primeira análise, que o PT não esteja no segundo turno”, afirma Helso, ponderando, contudo, que uma definição já na primeira fase é pouco provável.

Reeleição de Lula no radar

Imagem: Ricardo Stuckert

Na avaliação do professor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve disputar a reeleição, salvo ocorrência de um fato extraordinário que altere o cenário político.

Helso destaca que governos que ultrapassam dois anos de mandato chegam ao quarto ano com realizações para apresentar ao eleitorado, o que influencia diretamente o discurso de campanha. Ele ressalta que o debate econômico deve ser central, com leituras distintas entre governo e oposição.

De um lado, a oposição tende a enfatizar juros elevados e nível de gastos públicos. De outro, o governo deve destacar indicadores como valorização do salário mínimo, aumento do emprego formal e execução de obras e programas.

Outro ponto que pode aparecer como elemento de campanha é a retirada do Brasil do chamado “mapa da fome”, indicador acompanhado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Flávio Bolsonaro como nome da oposição

Imagem: Vinicius Schmidt/Metrópoles

Com a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro foi lançado como pré-candidato à Presidência com apoio declarado do pai.

Para Helso Ribeiro, o nome do senador apresenta viabilidade eleitoral. Ele destaca que, desde o lançamento da pré-candidatura, Flávio tem se mantido competitivo nas pesquisas.

“O núcleo bolsonarista tende a estar com ele. O grande desafio será conquistar eleitores do centro”, pontua.

O professor também observa que, embora conte com o apoio do eleitorado mais fiel ao bolsonarismo, o senador não possui o mesmo grau de mobilização popular que o ex-presidente.

Polarização deve continuar

Na leitura do articulista, a disputa tende a manter o padrão de polarização entre lulismo e bolsonarismo.

“Essa polarização retroalimenta os dois polos”, afirma.

Para ele, tanto o campo governista quanto o bolsonarismo acabam se beneficiando da divisão ideológica, o que dificulta o surgimento de uma alternativa forte fora desse eixo.

Entre os nomes ventilados na centro-direita estão Ratinho Júnior, Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Tarcísio de Freitas. No entanto, Helso avalia que ainda não há unidade suficiente para consolidar uma candidatura competitiva.

Ele também menciona o PSD, presidido nacionalmente por Gilberto Kassab, como possível articulador de alianças, mas pondera que uma terceira via exigiria convergência ampla entre partidos como MDB, Podemos e PP.

Terceira via ainda indefinida

Questionado sobre a viabilidade de uma candidatura alternativa aos dois polos, Helso avalia que o cenário permanece indefinido.

“Está muito aberto. Não sabemos quem virá com quem, nem quantos candidatos haverá”, afirma.

Segundo ele, qualquer construção de centro dependeria de articulações capazes de unir forças da centro-esquerda e da centro-direita, algo que ainda não se concretizou.

Perfil do eleitor e fatores decisivos

Para o professor, o eleitorado brasileiro é heterogêneo e reage de formas distintas às pautas apresentadas.

Ele avalia que temas ideológicos mobilizam uma parcela específica do eleitorado, enquanto programas sociais alcançam um contingente mais amplo da população. A rejeição política também deve exercer influência relevante no processo decisório.

Quanto ao desempenho econômico, Helson destaca que os números permitem leituras diferentes, tanto por parte do governo quanto da oposição, o que deve intensificar o embate narrativo ao longo da campanha.

Contexto internacional

O cenário global também tende a ser citado no debate eleitoral, ainda que, na avaliação do professor, não seja o fator determinante para o voto.

Ele menciona o peso econômico de parceiros estratégicos como Estados Unidos, União Europeia e China, mas considera que as questões internas devem ter maior influência sobre a escolha do eleitor brasileiro.

Tendências claras, definições pendentes

Para Helso Ribeiro, embora o histórico recente indique manutenção da polarização como eixo central da disputa, o processo eleitoral ainda está em fase de construção. Ele destaca que alianças partidárias, desempenho econômico e capacidade de diálogo com o eleitorado de centro serão fatores determinantes para consolidar candidaturas.

O professor pondera que, até as convenções partidárias, o quadro pode sofrer mudanças significativas. Neste momento, afirma, há tendências identificáveis, mas nenhuma definição consolidada. A eleição de 2026, na avaliação dele, ainda está em aberto.

Reportagem: Francisco Seixas | Edição de Imagem: Ranyere Frota | Revisão Jurídica: Letícia Barbosa

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