O Amazonas acaba de conquistar um marco histórico no cenário mundial de desenvolvimento de jogos eletrônicos. A equipe amazonense DEATHMARE se destacou na 10ª edição da GameJamPlus 2025/26, considerada uma das maiores maratonas internacionais de criação de games do mundo, ao vencer o prêmio de Melhor Jogo Brasileiro e alcançar o 3º lugar na grande Final Global da competição.
O reconhecimento veio com o jogo Hope Seed, projeto que chamou atenção da comunidade e dos jurados pela trilha sonora marcante, mecânicas divertidas de combate e movimentação, além das intensas batalhas contra chefes. O game também se destacou pela identidade amazônica e pela mensagem ambiental presente em sua narrativa.
A GameJamPlus reúne desenvolvedores, artistas, programadores, roteiristas e designers de mais de 50 países em uma competição que funciona como uma espécie de “Copa do Mundo” da criação de jogos independentes. A disputa começa em uma game jam, em que equipes têm cerca de 48 horas para desenvolver um protótipo, e segue por etapas de incubação, mentorias, semifinais continentais, aceleração de negócios e uma final global presencial.

Para Gabriel Nunes, integrante da equipe DEATHMARE e bacharel em Ciência da Computação, a conquista representa não apenas um reconhecimento profissional, mas também um momento importante para o cenário criativo do Amazonas.
“O Estado do Amazonas tem um potencial enorme e uma comunidade de desenvolvedores apaixonados. Com o tempo isso ficará cada vez mais evidente, e esperamos que momentos como esses inspirem mais pessoas a se juntarem a esse ecossistema”, afirmou.
Jogo nasceu de projeto criado em edição anterior
Segundo Gabriel, Hope Seed surgiu como uma evolução de um projeto antigo da equipe chamado Suspiro, desenvolvido durante a edição de 2023 da própria GameJamPlus.
“Hope Seed nasceu como um revival de um jogo antigo da equipe. Aproveitamos o conceito dos protagonistas, Caiubi e Guaraninho, que representam guardiões da natureza lutando contra a degradação ambiental”, explicou.
A proposta do jogo gira em torno de um mundo devastado ambientalmente, onde os personagens enfrentam desafios para restaurar a esperança.
“É sobre lutar mesmo quando tudo parece perdido. Queremos transmitir esperança sem que isso soe como uma lição de moral vazia”, destacou.

A influência amazônica também foi essencial na construção visual e temática do projeto.
“Em um jogo onde queríamos retratar a luta pela natureza, nada mais justo que dar uma ênfase amazônica. Escolhemos representar plantas e frutas que fazem parte da flora amazônica como forma de homenagem”, contou Gabriel.
Representando o Amazonas para o mundo
A final global da competição aconteceu presencialmente em Brasília e reuniu equipes de diferentes continentes. Para a DEATHMARE, a experiência foi marcada por emoção, troca cultural e reconhecimento internacional.

“Foi incrível conhecer as mentes por trás dos jogos que competiram, assim como ver o reconhecimento e carinho de todos”, disse Gabriel.
Dentro da equipe, ele atuou como programador, trabalhando no desenvolvimento das mecânicas de gameplay, combate, progressão de nível e sistemas de upgrades, além da implementação de feedbacks visuais e sonoros.
Mesmo diante das dificuldades para conciliar rotina pessoal, estudos e produção do jogo, a equipe manteve o foco até a conquista histórica.
“O maior desafio da equipe foi conciliar a vida pessoal e o tempo de cada um com suas ocupações”, revelou.
Quando o resultado foi anunciado, a emoção tomou conta do grupo.

“Já tínhamos esperança por conta dos prêmios da semifinal, mas não deixou de ser uma surpresa. Corríamos para receber os prêmios e todos puderam agradecer e falar um pouco”, lembrou.
VÍDEO | Equipe DEATHMARE fala sobre conquista histórica na GameJamPlus
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Em vídeo enviado ao portal Manaós, integrantes da equipe DEATHMARE comemoraram os seis prêmios conquistados durante a grande final da GameJamPlus 2025/26 e destacaram a importância de representar Manaus e toda a região Norte em uma competição internacional de games.
No depoimento, os desenvolvedores ressaltaram a troca cultural com participantes de diversos países, a valorização da identidade amazônica dentro do jogo Hope Seed e o desejo de mostrar ao mundo referências regionais sem recorrer a estereótipos.
“A gente cresce tendo inspirações de fora, mas existe muita cultura grande aqui também, muita magia de verdade que podemos trazer para os nossos jogos”, afirmou a equipe no vídeo.
Os integrantes também agradeceram o apoio recebido durante toda a trajetória da competição e reforçaram que a conquista representa um avanço importante para o cenário de desenvolvimento de games no Amazonas.
Orgulho para o Amazonas
Para Rudson Nunes, pai de Gabriel, acompanhar a trajetória do filho até a premiação foi motivo de orgulho e emoção.

“Mais do que os prêmios, o que mais me marca é ver o brilho nos olhos dele ao fazer o que ama”, afirmou.
Ele relembrou que Gabriel começou de forma autodidata na programação ainda no ensino médio e encontrou na universidade os colegas que formariam a equipe DEATHMARE.
“Ver ele e a equipe superando cada fase, com dedicação, foi uma lição de perseverança”, destacou.
Ao acompanhar o anúncio da premiação pela internet, a família viveu momentos de tensão e felicidade.
“Foi uma explosão de sentimentos. Quando anunciaram os prêmios, fiquei muito orgulhoso. Como pai, senti que aquele momento validava o caminho escolhido por ele”, disse Rudson.
Na avaliação dele, a conquista ajuda a mostrar um novo lado do Amazonas para o Brasil e o mundo.
“Nosso Estado sempre foi reconhecido por sua riqueza cultural e natural, mas conquistas como essa mostram que o Amazonas também é celeiro de talentos tecnológicos e criativos de nível mundial”, afirmou.
Inspiração para novos desenvolvedores
Gabriel acredita que o feito da DEATHMARE pode incentivar novos jovens amazonenses a entrarem no universo dos games e da tecnologia.
“Esperamos que novos times se formem para competir e que os times que tanto respeitamos continuem ativos. Vimos o time amazonense Hollow Harpy ganhar a Game Jam Plus em 2020, e certamente isso nos inspirou também”, contou.

Agora, a equipe busca transformar o reconhecimento internacional em novas oportunidades para o projeto.
“Estamos em busca de patrocínios, investimentos e parcerias com publishers que vejam potencial no nosso jogo. A GameJamPlus nos deu grande visibilidade e queremos aproveitar essas oportunidades”, revelou Gabriel.
Enquanto isso, o desenvolvimento de Hope Seed continua. A expectativa da equipe é lançar novas atualizações e aproximar o jogo da versão apresentada durante o pitch da competição.

Com a conquista inédita, a DEATHMARE não apenas colocou o Amazonas no mapa global da indústria de games, como também reforçou o potencial da região na economia criativa e tecnológica.


