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Da guerra da Ucrânia para o tráfico no Rio: inteligência investiga treinamento militar de drones pelo Comando Vermelho

Relatórios da segurança pública apontam que ex-combatente brasileiro teria levado técnicas aprendidas no conflito europeu para facção criminosa no Rio de Janeiro

A guerra entre Ucrânia e Rússia transformou drones em uma das principais ferramentas do combate moderno. Agora, autoridades brasileiras investigam se parte desse conhecimento militar está chegando ao crime organizado no Rio de Janeiro.

Relatórios da inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio indicam que integrantes do Comando Vermelho (CV) podem estar recebendo treinamento especializado de um brasileiro que atuou como voluntário no conflito no Leste Europeu. Segundo as investigações, ele teria permanecido cerca de um ano em área de guerra antes de retornar ao Brasil.

Além disso, investigadores suspeitam que o ex-combatente passou a orientar criminosos no uso de drones de grande porte para transporte de armas, munições e drogas entre comunidades dominadas pela facção.

O caso elevou o nível de preocupação das forças de segurança porque o foco deixa de ser apenas drones comerciais adaptados improvisadamente. Agora, a principal ameaça investigada envolve técnicas de guerra aprendidas em um dos conflitos mais tecnológicos da atualidade.

Guerra na Ucrânia acelerou revolução tecnológica

Desde a invasão russa em 2022, a Ucrânia virou referência mundial no uso estratégico de drones em combate.

Durante a guerra, forças militares passaram a utilizar drones kamikaze, aeronaves de reconhecimento, equipamentos de monitoramento tático e sistemas de logística aérea em larga escala. Além disso, operadores especializados ganharam protagonismo dentro das operações militares.

Especialistas em segurança pública afirmam que o conflito criou uma nova geração de combatentes treinados em inteligência remota, coordenação aérea e guerra tecnológica.

Segundo investigadores do Rio, parte desse conhecimento pode estar migrando para organizações criminosas fora da Europa.

As apurações apontam que traficantes passaram a testar drones agrícolas de grande porte, capazes de transportar cargas pesadas e atravessar áreas monitoradas pelas forças de segurança.

Em alguns casos analisados pela polícia, os equipamentos teriam capacidade para carregar dezenas de quilos, incluindo fuzis, munições e drogas. Há relatos de aeronaves avaliadas em aproximadamente R$ 200 mil sendo usadas em treinamentos dentro de comunidades controladas pelo tráfico.

Polícia investiga ligação internacional de facção

As suspeitas envolvendo integrantes do Comando Vermelho e o conflito na Ucrânia começaram ainda em 2025.

Na época, investigações da Polícia Civil apontaram que um integrante da facção teria realizado viagens frequentes para países da Europa antes de seguir para território ucraniano.

Segundo os investigadores, ele aparecia em imagens utilizando uniforme militar com bandeiras da Ucrânia e manuseando armamentos em áreas ligadas ao conflito.

A polícia acredita que o objetivo da viagem seria adquirir experiência prática em técnicas de combate, logística tática e operação de drones militares.

Além disso, as autoridades investigam se integrantes da facção receberam apoio financeiro para atuar como voluntários no conflito europeu e retornar posteriormente ao Brasil com treinamento especializado.

Crime organizado muda perfil operacional

Nos últimos anos, o uso de drones pelo tráfico já vinha crescendo no Rio de Janeiro, principalmente em atividades de vigilância para monitorar operações policiais.

Entretanto, investigadores afirmam que o cenário atual representa uma mudança mais profunda na estrutura operacional das facções.

O principal temor das autoridades é que grupos criminosos passem a incorporar modelos inspirados em zonas de guerra, com operadores especializados, logística aérea e coordenação tática semelhante à utilizada em conflitos armados modernos.

Além disso, operações recentes já registraram a apreensão de equipamentos considerados sofisticados, incluindo aeronaves adaptadas e sistemas anti-drone em áreas dominadas pelo tráfico.

Especialistas em segurança pública avaliam que o fenômeno acompanha uma tendência global: tecnologias militares desenvolvidas em guerras acabam migrando, com o tempo, para grupos criminosos e organizações armadas ilegais.

Inteligência monitora avanço da tecnologia

As investigações seguem sob responsabilidade de setores de inteligência da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

Até o momento, as autoridades não confirmaram oficialmente quantos criminosos receberam treinamento especializado nem qual seria o alcance operacional da estrutura investigada.

Mesmo assim, o caso já reforça um debate crescente entre especialistas em segurança internacional: os impactos da guerra da Ucrânia podem ultrapassar fronteiras diplomáticas e militares, influenciando diretamente a dinâmica do crime organizado em países da América Latina.

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