A defesa do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, apresentou à Justiça uma série de laudos médicos com o objetivo de contestar as acusações de importunação sexual que resultaram em seu afastamento do cargo. Os documentos sustentam que o estado de saúde do magistrado seria incompatível com um dos episódios relatados por uma das denunciantes.
De acordo com os advogados, os exames apontam que o ministro apresenta disfunção erétil de origem multifatorial, ausência de libido, hipogonadismo — condição caracterizada pela produção insuficiente de testosterona e, em alguns casos, de espermatozoides —, além de ausência de ejaculação anterógrada.
A defesa também anexou um parecer elaborado por um médico urologista, no qual são descritos fatores clínicos que, segundo o documento, comprometem significativamente a função sexual do magistrado. Entre eles estão um histórico de cirurgia de próstata, diabetes, hipertensão arterial e o uso contínuo de medicamentos.
O laudo médico, datado de 6 de fevereiro deste ano, conclui que o conjunto das condições clínicas apresentadas “não respalda hipótese de função sexual exacerbada”, argumento utilizado pelos advogados para questionar a versão apresentada por uma das denunciantes.
Contestação ao depoimento
Segundo a investigação, uma das mulheres afirmou às autoridades que o episódio ocorreu durante um banho de mar em Balneário Camboriú (SC). Em seu relato, ela disse ter percebido que o ministro estaria com o pênis ereto enquanto tentava segurá-la dentro da água.
Ainda conforme o depoimento, a vítima afirmou ter sentido a genitália do magistrado pressionando seu corpo, uma vez que ele utilizava apenas shorts e sunga durante o momento descrito.
Ao rebater a acusação, a defesa sustenta que as condições médicas descritas nos laudos tornariam inviável a situação narrada pela denunciante.
Testemunha também foi apresentada
Além dos documentos médicos, os advogados anexaram ao processo o depoimento de uma testemunha que afirmou ter presenciado parte da cena no mar.
Segundo o relato, o ministro e a jovem permaneceram separados por aproximadamente um metro e meio durante o período em que estavam na água, sem contato físico entre eles. A testemunha afirmou ainda que, ao deixarem o mar, Marco Buzzi apenas ofereceu a mão para auxiliar a mulher a sair da água.
Investigação segue em andamento
Os documentos passam a integrar o processo que apura as denúncias contra o ministro afastado. A apresentação dos laudos e do depoimento faz parte da estratégia da defesa para contestar os fatos narrados pelas denunciantes, enquanto a investigação continua em tramitação nas instâncias competentes.
Até o momento, não há decisão definitiva sobre o mérito das acusações. O caso segue sob análise das autoridades responsáveis.
*Com informações do JuriNews
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