HomeNotíciasAmazonasComissão prepara novo relatório sobre impactos da hidrelétrica de Balbina durante a...

Comissão prepara novo relatório sobre impactos da hidrelétrica de Balbina durante a ditadura

Documento será elaborado com base em arquivos públicos relacionados ao período militar e deve aprofundar informações sobre impactos sociais, ambientais, energéticos e arqueológicos da usina no Amazonas

A Comissão da Verdade de Balbina (CVB) está concluindo o segundo relatório sobre a construção da hidrelétrica de Balbina, localizada no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas.

O novo documento será baseado em arquivos públicos relacionados à ditadura militar e deve ampliar as investigações sobre as decisões que levaram à implantação da usina.

A informação foi divulgada pelo professor Renan Albuquerque, presidente da comissão e docente da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), durante entrevista ao programa Primeira Onda, da Rádio Antena 1 Manaus e da TV Onda Digital.

Governo militar conhecia riscos, aponta comissão

Segundo Albuquerque, o primeiro relatório da Comissão da Verdade de Balbina, lançado em março, indicou que integrantes do governo militar tinham conhecimento dos riscos técnicos, sociais e ambientais relacionados à obra.

Mesmo diante das informações, o projeto teve continuidade.

“A ditadura sabia que Balbina não ia dar certo”, declarou o professor durante a entrevista, ao mencionar relatos atribuídos a antigos diretores da Eletronorte.

De acordo com Albuquerque, a decisão de construir a hidrelétrica foi tomada em 1976, durante o governo do general Ernesto Geisel. Conforme o pesquisador, a obra avançou mesmo sem condições técnicas consideradas adequadas.

Pesquisa analisou milhões de páginas

A Comissão da Verdade de Balbina reúne representantes e pesquisadores ligados à Universidade de São Paulo (USP), à Defensoria Pública do Estado do Amazonas, ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e à Ufam.

A pesquisa começou em 2025 e analisou cerca de 2 milhões de páginas de documentos públicos. Para examinar o material, o grupo utilizou ferramentas de inteligência artificial.

Após a seleção, aproximadamente 4 mil arquivos foram reunidos no primeiro relatório, que possui cerca de 200 páginas.

A comissão também solicitou acesso aos documentos das Forças Armadas relacionados à construção de Balbina. No entanto, segundo Albuquerque, o pedido foi negado.

Impactos ambientais e climáticos

Durante a entrevista, o presidente da comissão afirmou que o alagamento provocado pela usina causou impactos ambientais, energéticos e climáticos na região.

Albuquerque classificou a área como o “maior vertedouro de gás metano da Amazônia Ocidental”. A declaração considera a emissão gerada pela decomposição de matéria orgânica submersa após a formação do reservatório.

A hidrelétrica também é objeto de questionamentos relacionados à quantidade de energia produzida, ao tamanho da área inundada e às consequências para comunidades que viviam na região.

O segundo relatório deve aprofundar a análise desses impactos e apresentar novos documentos sobre o processo de planejamento e construção da usina.

Acervo arqueológico

Outro ponto abordado pela comissão envolve a existência de aproximadamente 1,5 milhão de peças arqueológicas encontradas na região afetada pelo reservatório.

Segundo Albuquerque, parte do acervo estaria armazenada no Teatro Chaminé, no Centro de Manaus. Outra parcela estaria sob a custódia da empresa Âmbar.

O professor defendeu a criação de um centro de memória para reunir os objetos e preservar a história das populações atingidas pela construção da hidrelétrica.

A proposta também busca permitir o acesso público ao material arqueológico e aos documentos históricos relacionados a Balbina.

Comissão avalia medidas judiciais

O defensor público Carlos Almeida Filho afirmou que a comissão também analisa os impactos sociais e energéticos provocados pela usina.

Segundo ele, o grupo não descarta uma futura judicialização do caso. Entre as possibilidades avaliadas estaria um pedido para encerrar as operações da hidrelétrica, desde que a medida seja fundamentada pelos estudos técnicos.

A eventual ação dependerá das conclusões das pesquisas e das provas reunidas pela Comissão da Verdade de Balbina.

Conforme o defensor, o trabalho busca divulgar informações que permaneceram pouco conhecidas durante décadas e ampliar o debate público sobre as consequências da construção da usina no Amazonas.

O segundo relatório ainda não tem data de lançamento informada. O documento deve reunir novas evidências sobre as decisões tomadas durante o regime militar e os impactos que continuam sendo investigados na região de Balbina.

📲 Fique por dentro das notícias de Manaus e do Amazonas em tempo real. Acesse o canal do Portal Manaós no WhatsApp e acompanhe tudo pelo zap.

- Continua após a publicidade -spot_img
spot_img
Últimas notícias
- Continua após a publicidade -
Mais como esta

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here