A sucessão estadual no Pará começa a ganhar contornos definitivos com o início das convenções partidárias para as eleições de 2026. Os partidos iniciaram o processo de homologação de candidaturas, definição das chapas majoritárias e consolidação das alianças políticas que disputarão o comando do Estado pelos próximos quatro anos.
O processo ocorre sob a coordenação da Justiça Eleitoral e em um dos cenários mais competitivos do país, marcado pela saída do governador Helder Barbalho (MDB) para disputar uma vaga no Senado Federal e pela ascensão da governadora Hana Ghassan (MDB) como candidata da base governista.
O calendário eleitoral prevê que as convenções partidárias sejam realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, período em que as legendas oficializam seus candidatos. Após essa etapa, os partidos terão até 15 de agosto para protocolar os pedidos de registro junto ao Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA). Somente depois da análise e do deferimento desses registros as candidaturas estarão oficialmente aptas a disputar o pleito.
Hana Ghassan tenta manter o grupo político no poder
Após assumir o Governo do Pará com a renúncia de Helder Barbalho, a governadora Hana Ghassan (MDB) buscará seu primeiro mandato conquistado nas urnas. Ex-secretária de Planejamento e considerada um dos principais nomes da gestão Barbalho, Hana representa a continuidade do grupo político que administra o Estado desde 2019.
A convenção do MDB que deverá homologar sua candidatura está prevista para o início de agosto. Até o momento, o nome do candidato a vice-governador não havia sido oficialmente anunciado pelas lideranças da coligação.
A estratégia da campanha é associar a candidatura aos resultados administrativos do governo Helder Barbalho, principalmente nas áreas de infraestrutura, desenvolvimento econômico, logística e preparação do Estado para sediar a COP30.
Dr. Daniel Santos lidera a principal frente de oposição
Principal adversário da situação, o ex-prefeito de Ananindeua Dr. Daniel Santos (Podemos) consolidou sua candidatura após deixar o comando do município para disputar o Governo do Estado. Médico de formação, Daniel rompeu politicamente com o grupo liderado por Helder Barbalho e passou a construir uma candidatura baseada no discurso de renovação administrativa e descentralização da gestão estadual.
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Sua pré-campanha tem concentrado agendas no interior do Estado e encontros com lideranças municipais, buscando ampliar sua presença fora da Região Metropolitana de Belém.
Até a conclusão desta reportagem, o candidato a vice também não havia sido oficialmente divulgado.
Outros pré-candidatos ampliam a disputa
Além das duas principais candidaturas, outras legendas também apresentaram nomes para disputar o Palácio dos Despachos.
Entre os pré-candidatos anunciados estão:
Delegado Éder Mauro (PL), deputado federal e representante do campo conservador;
Mário Couto (DC);
Araceli Lemos (PSOL);
Cleber Rabelo (PSTU).
As convenções poderão confirmar ou alterar essas candidaturas dentro do prazo previsto pela legislação eleitoral.
Pesquisas apontam disputa equilibrada
Os primeiros levantamentos divulgados durante a pré-campanha indicam um cenário de elevada competitividade.
Pesquisa Genial/Quaest, divulgada em julho, mostra Hana Ghassan e Dr. Daniel Santos tecnicamente empatados tanto no primeiro quanto em um eventual segundo turno. No principal cenário estimulado para o primeiro turno, Hana aparece com 24% das intenções de voto, enquanto Dr. Daniel registra 20%, dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
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O levantamento evidencia que a transferência de prestígio político de Helder Barbalho será um dos principais fatores da eleição, enquanto a oposição tenta transformar o desgaste natural de um grupo após dois mandatos consecutivos em vantagem eleitoral.
Helder Barbalho deixa o governo para disputar o Senado
Um dos principais fatos políticos do ano ocorreu em abril, quando Helder Barbalho renunciou ao Governo do Estado para concorrer ao Senado Federal.
A decisão permitiu a posse definitiva da então vice-governadora Hana Ghassan, que passou a comandar a administração estadual e se tornou a candidata natural da base governista.
Além de Helder, a disputa pelas duas vagas ao Senado reúne nomes como:
Delegado Éder Mauro (PL);
Zequinha Marinho (Podemos);
Celso Sabino (PDT);
Fernando Carneiro (PSOL).
TRE-PA entra na fase de registro das candidaturas
O Tribunal Regional Eleitoral do Pará iniciou os preparativos para a etapa formal do processo eleitoral. Após a realização das convenções, caberá ao TRE analisar a documentação apresentada pelos partidos, verificar as condições de elegibilidade e julgar eventuais impugnações antes do deferimento definitivo das candidaturas.
Somente após essa análise os candidatos terão seus nomes incluídos oficialmente na urna eletrônica para as eleições de outubro.
Cenário permanece aberto
Embora a polarização entre Hana Ghassan e Dr. Daniel Santos concentre a maior atenção, o processo eleitoral ainda depende da homologação das chapas, da definição dos candidatos a vice-governador e das alianças partidárias que serão formalizadas nas convenções.
Até o encerramento do calendário eleitoral, novas composições políticas ainda poderão alterar o equilíbrio da disputa. A expectativa é de uma campanha marcada pelo confronto entre a continuidade do grupo político liderado por Helder Barbalho e o discurso de mudança apresentado pela oposição.
Com convenções em andamento, pesquisas indicando equilíbrio e um dos maiores colégios eleitorais da Região Norte em disputa, a sucessão no Pará se desenha como uma das eleições estaduais mais relevantes e competitivas do país em 2026.
*Com informações do O Convergente
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