A proposta da Prefeitura de Curitiba para enterrar até 120 quilômetros de cabos elétricos e de telecomunicações pode servir de referência para Manaus na modernização da infraestrutura urbana.
O projeto curitibano prevê intervenções iniciais na região central, principalmente em áreas históricas, turísticas, adensadas ou mais vulneráveis a eventos climáticos. O investimento estimado chega a R$ 1,2 bilhão.
Como o custo é elevado, a prefeitura estuda uma parceria público-privada, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto ainda está em fase de estruturação técnica, financeira e jurídica, sem prazo definido para o início das obras.
Amazonas já tem legislação
No Amazonas, a Lei Estadual nº 8.098, sancionada em janeiro de 2026, determina a adequação gradual das redes aéreas em locais com poluição visual, riscos à segurança ou impactos ambientais.

A norma prevê a utilização preferencial de estruturas subterrâneas e estabelece prazo de até dez anos para a mudança. Áreas densamente povoadas ou de interesse ambiental devem receber prioridade.
Apesar disso, a lei não define quais ruas serão atendidas primeiro, os valores necessários nem um cronograma de execução. Portanto, a aplicação depende de planejamento conjunto entre governos, concessionárias de energia e empresas de telecomunicações.
Manaus ainda organiza cabos aéreos
Em Manaus, as ações recentes se concentram na retirada de fios abandonados e na organização da fiação instalada nos postes.
Desde agosto de 2025, a prefeitura informou ter retirado mais de 15 toneladas de cabos obsoletos, principalmente no Centro Histórico. O município também discutiu um projeto-piloto para organizar a rede aérea na avenida das Torres e mapear postes na região central.

Embora reduzam a poluição visual e os riscos relacionados à fiação sem uso, essas medidas não representam a substituição da rede aérea por uma estrutura subterrânea.
Uma indicação apresentada na Câmara Municipal também sugeriu o enterramento dos cabos nas avenidas Eduardo Ribeiro, Getúlio Vargas e em um trecho da avenida Sete de Setembro. No entanto, ainda não há projeto executivo, orçamento ou cronograma anunciado para essas intervenções.
Centro Histórico poderia receber projeto-piloto
O modelo de Curitiba mostra que a substituição da rede pode ocorrer de forma gradual, começando por regiões estratégicas.
Em Manaus, um projeto-piloto poderia priorizar o Centro Histórico, onde há grande concentração de comércio, prédios antigos, equipamentos culturais e circulação diária de moradores e turistas.

A escolha dos locais, contudo, precisa considerar fatores técnicos, como drenagem, ocupação do subsolo, quantidade de consumidores, impacto no trânsito e frequência de interrupções no fornecimento de energia.
Indicadores da Agência Nacional de Energia Elétrica também poderiam ajudar a identificar os pontos mais afetados por quedas ou interrupções prolongadas.
Rede subterrânea reduz exposição a temporais
Entre as vantagens da rede subterrânea está a menor exposição dos cabos a ventos fortes, quedas de árvores, descargas atmosféricas e colisões contra postes.
Em Manaus, temporais já provocaram desligamentos em diferentes bairros. Em uma ocorrência divulgada pela Amazonas Energia, 63 alimentadores foram afetados por ventos, raios, vegetação e objetos lançados sobre a rede.
A estrutura subterrânea também pode reduzir acidentes, melhorar a paisagem urbana e liberar parte das calçadas ocupadas por postes.
Por outro lado, o sistema tem custo elevado. Além disso, falhas podem ser mais difíceis de localizar e os reparos exigem equipamentos e equipes especializadas.
Custo é principal desafio
A estimativa de Curitiba corresponde, em uma divisão simples, a cerca de R$ 10 milhões por quilômetro. O valor não pode ser aplicado diretamente a Manaus, já que os custos variam conforme o solo, a drenagem, a quantidade de ligações e as obras necessárias.
Por isso, uma eventual implantação na capital amazonense exigiria estudos de viabilidade, mapeamento do subsolo e definição das responsabilidades financeiras.
A experiência de Curitiba ainda não representa uma solução pronta. Mesmo assim, oferece um modelo de planejamento que pode ser analisado por Manaus: iniciar por áreas prioritárias, integrar concessionárias e buscar financiamento para executar as obras gradualmente.
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