O Republicanos decidiu permanecer neutro na disputa pela Presidência da República nas Eleições 2026. A posição foi confirmada nesta terça-feira (4), durante a convenção nacional da legenda, realizada em Brasília.
Com a decisão, o partido rejeitou uma coligação nacional com Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. O Republicanos também descartou apoiar, no primeiro turno, a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o presidente nacional da sigla, deputado federal Marcos Pereira, 17 diretórios estaduais defenderam a neutralidade. Outros nove apoiaram uma composição com o PL, enquanto apenas um diretório preferiu uma aliança com Lula.
A convenção também aprovou que o Republicanos não lançará candidato próprio à Presidência. A direção nacional recebeu autorização para reavaliar a posição caso a eleição seja decidida em segundo turno.
Partido busca evitar divisão interna
A escolha pela neutralidade teve como principal argumento a manutenção da unidade partidária. O Republicanos reúne grupos próximos ao bolsonarismo, lideranças com diálogo com o governo federal e diretórios concentrados nas próprias disputas estaduais.
O deputado Celso Russomanno afirmou que uma aliança nacional com Flávio poderia dividir a legenda e prejudicar candidaturas à Câmara dos Deputados, principalmente nos estados do Nordeste.
A decisão também atende a dirigentes que defendem a concentração dos recursos e da estrutura do partido nas eleições para deputado federal e senador. Antes da convenção, um levantamento interno já indicava que aproximadamente 80% dos integrantes consultados preferiam não apoiar nenhum candidato presidencial.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, participou da convenção e era apontado como um dos principais defensores da neutralidade. Na Paraíba, o parlamentar pretende participar de uma aliança estadual com grupos ligados a Lula.
Os senadores Hamilton Mourão e Damares Alves, que fizeram parte da base política do governo de Jair Bolsonaro, também compareceram ao encontro, mas não se manifestaram durante a aprovação da medida.
PL perde possibilidade de indicar Daniella Marques
O Republicanos era uma das principais alternativas procuradas pelo PL para ampliar a coligação presidencial de Flávio Bolsonaro. As negociações incluíam acordos estaduais e a possibilidade de o partido indicar a economista Daniella Marques para a vaga de vice-presidente.
Ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella é filiada ao Republicanos e colaborava com o grupo responsável pela organização da campanha de Flávio. Com a neutralidade, a possibilidade de ela integrar a chapa pelo partido fica inviabilizada.
O PL já havia tentado atrair a Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP. A articulação também não avançou, e a federação decidiu não apoiar formalmente nenhum candidato à Presidência no primeiro turno.
Diante das negativas, Flávio se aproxima de uma chapa pura, com o candidato a vice-presidente escolhido entre os integrantes do próprio PL.
Isolamento afeta horário eleitoral
A falta de alianças nacionais deverá produzir impacto direto no tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
Caso permaneça somente com o PL, Flávio deverá ter aproximadamente 4 minutos e 20 segundos em cada programa eleitoral. Lula poderá contar com cerca de 5 minutos e 32 segundos, considerando os partidos que devem integrar sua coligação.
Nesse cenário, o candidato do PL terá aproximadamente 20% menos tempo de propaganda do que o presidente. Caso o Republicanos tivesse ingressado na coligação, Flávio passaria a ter 5 minutos e 16 segundos, contra 4 minutos e 51 segundos de Lula.
O cálculo considera a divisão legal do horário eleitoral. Uma parte é distribuída igualmente entre as candidaturas habilitadas, enquanto a maior parcela é definida conforme o número de deputados federais eleitos pelos partidos que formam cada coligação.
PL possui maior parcela individual do fundo
Apesar do impacto político e eleitoral, a decisão do Republicanos não permite afirmar que Flávio terá menos dinheiro disponível do que Lula.
O PL recebeu a maior parcela individual do Fundo Especial de Financiamento de Campanha de 2026, com R$ 881,7 milhões. O PT aparece na sequência, com aproximadamente R$ 615,4 milhões. Já o Republicanos recebeu cerca de R$ 348,6 milhões.
Os valores, porém, não são destinados integralmente às campanhas presidenciais. Cada partido define internamente a distribuição dos recursos entre candidatos à Presidência, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.
A neutralidade do Republicanos reforça, portanto, a dificuldade de Flávio Bolsonaro em transformar seu desempenho eleitoral e a estrutura financeira do PL em uma coalizão nacional. Com o encerramento das convenções partidárias nesta quarta-feira (5), o candidato se aproxima do início oficial da campanha sustentado principalmente pela própria legenda.


