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Saúde, segurança, infraestrutura e gestão pautam debate entre candidatos ao Governo do Amazonas

Quatro candidatos participam de debate marcado por embates sobre gestão e serviços públicos

Quatro candidatos ao Governo do Amazonas participaram, neste domingo (9), do debate promovido pela Band com os concorrentes ao Executivo estadual nas eleições de 2026. David Almeida (Avante), Isael Munduruku (Rede), Maria do Carmo (PL) e Omar Aziz (PSD) estiveram frente a frente para apresentar propostas e discutir temas relacionados à administração do Estado.

O encontro também foi marcado pelas ausências de Roberto Cidade (União Brasil), Cabo Daciolo e Gilberto Vasconcelos. Cidade informou, por meio da coordenação de campanha, que decidiu não participar por orientação jurídica e que ficará fora de debates e sabatinas realizados antes do início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto. A campanha afirmou que a decisão busca garantir segurança jurídica enquanto ainda está em andamento o processo de registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.

Já Cabo Daciolo e Gilberto Vasconcelos não participaram do encontro por questões do critério adotado pela emissora, que segue o que estabelece a legislação eleitoral. A participação foi restrita aos candidatos cujos partidos ou federações possuem representação mínima no Congresso Nacional, conforme previsto no artigo 46 da Lei nº 9.504/1997 e na Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nº 23.610/2019.

Ao longo do debate, os quatro participantes abordaram áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, habitação, produção rural e gestão dos recursos públicos. As experiências anteriores dos candidatos e críticas à condução do Estado também ganharam espaço nas discussões.

Experiência e mudança

Nas apresentações iniciais, os candidatos buscaram estabelecer as principais linhas de suas campanhas. David Almeida destacou a experiência como prefeito de Manaus, deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e governador interino. Ele defendeu levar para o Estado políticas adotadas durante sua administração na capital.

Omar Aziz também recorreu à experiência administrativa e defendeu o que classificou como uma “mudança com responsabilidade”. “Eu não sou da velha política ou da nova política, eu sou da boa política, da que constrói, que serve às pessoas”, declarou.

Leia mais: Candidatos apresentam trajetórias e dão o tom da disputa em primeiro discurso no debate

Maria do Carmo apresentou sua trajetória na educação e afirmou que entrou na disputa motivada pela insatisfação com problemas enfrentados pela população, principalmente na saúde. A candidata também ressaltou o apoio da família Bolsonaro e defendeu uma mudança na condução do Estado.

Isael Munduruku, por sua vez, apresentou sua trajetória como indígena e advogado e defendeu sua candidatura como uma alternativa política. “Nossa candidatura não veio aqui para fazer um papel folclórico. Vamos debater de peito aberto todos os temas de interesse do Estado do Amazonas”, afirmou.

Segurança pública e tráfico

A segurança pública esteve entre os assuntos discutidos. Isael Munduruku abordou o tráfico de drogas e destacou a posição geográfica do Amazonas, que faz fronteira com Colômbia e Peru.

Durante a discussão, Isael acusou políticos, sem citar nomes naquele momento, de manterem relações com integrantes do crime organizado. “Muitos políticos ficam fazendo conchavo e aliança e conversinha com liderança do tráfico de drogas”, afirmou.

Omar Aziz também colocou a segurança entre as prioridades de um eventual governo e defendeu o funcionamento de delegacias 24 horas. O candidato afirmou que o Estado dispõe de recursos, mas precisa rever contratos e realizar ajustes para ampliar a capacidade de investimento.

Saúde, habitação e recursos públicos

Omar defendeu ainda o fim das filas do Sistema de Regulação (Sisreg) e medidas para reduzir o déficit habitacional. Segundo ele, uma revisão de contratos e um ajuste fiscal poderiam ampliar os recursos disponíveis para políticas públicas.

“Com a revisão de contratos, com o ajuste fiscal, nós vamos poder fazer muito mais. Muito mais do que fizemos nos quatro anos que eu fui governador”, declarou.

David Almeida também discutiu a aplicação dos recursos estaduais e afirmou que pretende ampliar serviços públicos. Durante o encontro, citou saúde, segurança, infraestrutura e produção rural entre as áreas que considera prioritárias.

Tropical Hotel entra no confronto

Um dos embates entre David Almeida e Maria do Carmo ocorreu quando o candidato do Avante questionou a adversária sobre o Tropical Hotel e a Santa Casa de Misericórdia, imóveis adquiridos pelo grupo empresarial ligado à candidata.

David cobrou a conclusão dos projetos anunciados para os empreendimentos e afirmou que o Tropical Hotel tinha previsão de entrega em 2022.

Maria do Carmo respondeu que a obra está sendo realizada com recursos privados e alegou que não conseguiu financiamento público para concluir o projeto. A candidata afirmou ainda que o IPTU relacionado ao empreendimento teria aumentado quase 1.000% durante a administração municipal de David.

O confronto avançou para uma discussão sobre a diferença entre a administração de recursos privados e públicos, com os dois candidatos trocando críticas sobre capacidade de gestão.

Infraestrutura e Ramal do Pau Rosa

A infraestrutura também entrou no confronto entre David e Maria do Carmo. A candidata do PL cobrou melhorias no Ramal do Pau Rosa, na zona rural de Manaus, afirmando que moradores aguardam pavimentação.

David respondeu atribuindo ao então governador Wilson Lima uma promessa feita em 2022 para a área. Durante a resposta, afirmou que Wilson seria uma “inspiração política” de Maria do Carmo e utilizou a comparação para questionar a adversária.

Críticas à gestão estadual

A ausência de Roberto Cidade também apareceu nas discussões. Maria do Carmo afirmou, em determinado momento, que Omar Aziz estaria sendo “gentil” ao tratar do governador ausente e passou a fazer acusações sobre contratos do Governo do Amazonas.

A candidata alegou a existência de contratos superfaturados e afirmou que parte deles estaria sob investigação. As declarações foram apresentadas por Maria do Carmo durante o debate como críticas à administração estadual.

Ao longo do encontro, os participantes alternaram a apresentação de propostas com questionamentos sobre gestões anteriores e atuais. O debate colocou frente a frente diferentes estratégias para a corrida ao Governo do Amazonas e antecipou alguns dos temas que devem ocupar a campanha eleitoral a partir de 16 de agosto.

Leia mais: Cinco candidatos participam do primeiro debate ao Governo do Amazonas neste domingo

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