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Trump reduz lista de vacinas infantis recomendadas nos EUA e propõe mudanças na aplicação

Especialistas em saúde pública afirmam que o calendário de vacinação infantil dos Estados Unidos foi elaborado com base em décadas de pesquisas sobre a prevenção de doenças graves e mortes

Uma ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump nesta segunda-feira (10) reduz para 11 o número de vacinas recomendadas para crianças pelo governo americano e prevê mudanças na forma como alguns imunizantes são aplicados.

Uma das principais propostas é separar a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) em três vacinas diferentes, aplicadas em consultas médicas distintas. Atualmente, segundo a Associated Press, não existem nos Estados Unidos versões infantis separadas para essas três doenças.

Durante um evento na Casa Branca, Trump também afirmou que crianças de 1 ano deveriam receber vacinas em cinco consultas diferentes. Não ficou claro, porém, se ele se referia a todas as vacinas indicadas nessa idade ou apenas a parte delas.

A medida também determina que o Departamento de Saúde dos EUA amplie as pesquisas sobre vacinas e analise as recomendações de imunização adotadas em outros países.

Especialistas criticam mudança

Especialistas em saúde pública afirmam que o calendário de vacinação infantil dos Estados Unidos foi elaborado com base em décadas de pesquisas sobre a prevenção de doenças graves e mortes.

Segundo esses especialistas, aumentar o intervalo entre as vacinas pode deixar crianças desprotegidas por mais tempo. Uma criança poderia, por exemplo, ficar exposta a uma doença evitável enquanto aguarda uma nova consulta para receber outra dose.

As vacinas e as formas de aplicá-las passam por estudos de segurança antes de serem recomendadas e continuam sendo monitoradas mesmo depois de entrarem no calendário de imunização.

Estados decidem sobre vacinação nas escolas

Apesar da mudança nas recomendações do governo federal, os estados americanos continuam responsáveis por definir quais vacinas podem ser exigidas para que crianças frequentem as escolas.

A ordem assinada por Trump deve orientar os estados que possuem essas exigências a avaliar possíveis mudanças em suas próprias regras.

A decisão ocorre depois de outras mudanças promovidas pelo governo. Em dezembro, Trump determinou que o Departamento de Saúde analisasse os calendários de vacinação de outros países e estudasse alterações nas recomendações americanas. Uma redução anterior da lista de vacinas acabou sendo bloqueada pela Justiça.

Vacinas e autismo

O atual secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., que há anos critica algumas políticas de vacinação, também defende mudanças no calendário infantil. Ele já atuou para retirar a recomendação universal da vacina contra a hepatite B para crianças.

Kennedy também voltou a mencionar uma possível relação entre fatores ambientais e o aumento dos diagnósticos de autismo. No entanto, décadas de estudos científicos não encontraram relação entre vacinas infantis e autismo. A ideia de que as vacinas causam autismo foi repetidamente rejeitada pela comunidade científica.

(*)Com informações da CNN Brasil e G1

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