Com a chegada do período mais seco do ano, pais e responsáveis precisam redobrar os cuidados com a saúde das crianças em Manaus. Calor intenso, estiagem e a possibilidade de aumento da fumaça provocada por queimadas formam uma combinação que pode favorecer desidratação, irritações nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar doenças como asma, rinite e bronquite.
O alerta ganha importância diante do cenário previsto para os próximos meses. A Defesa Civil de Manaus iniciou, em julho, o planejamento para enfrentar a estiagem de 2026 e trabalha com a perspectiva de um período severo, embora, até o momento, sem expectativa de atingir a mesma intensidade observada entre 2023 e 2024.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde informou que as projeções para julho, agosto e setembro de 2026 indicam temperaturas acima do normal em grande parte do país e chuvas abaixo da média em áreas do Centro-Norte. A pasta também monitora os impactos dos incêndios florestais e da fumaça sobre a população.
Em Manaus, as temperaturas máximas previstas para os dias 11, 12 e 13 de agosto ficam próximas dos 35°C, reforçando a necessidade de cuidados com a exposição prolongada ao calor.
Por que as crianças precisam de atenção maior?
As crianças estão entre os grupos mais suscetíveis aos efeitos das temperaturas elevadas. O calor excessivo aumenta a perda de líquidos pelo organismo e pode provocar desde desidratação e mal-estar até quadros mais graves relacionados ao estresse térmico.
Quando o calor é acompanhado de fumaça, o risco ganha outro componente.
A fumaça dos incêndios contém partículas muito pequenas, entre elas o chamado material particulado fino (MP2,5), capaz de penetrar profundamente no sistema respiratório. O Ministério da Saúde aponta crianças entre as populações especialmente vulneráveis à exposição à poluição do ar.
Crianças menores de 5 anos exigem atenção redobrada durante períodos de fumaça intensa, segundo orientação da pasta.
A Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) também alerta que a exposição à fumaça pode provocar sintomas como tosse, irritação na garganta, lacrimejamento, vermelhidão nos olhos e dificuldade para respirar, além de favorecer crises alérgicas e agravar quadros de asma, bronquite e sinusite.
Água deve fazer parte da rotina, mesmo antes da sede
Uma das principais medidas de prevenção é manter a criança hidratada ao longo de todo o dia.
Pais e responsáveis não devem esperar que a criança demonstre sede para oferecer líquidos, principalmente em dias de temperaturas elevadas. O Ministério da Saúde recomenda hidratação frequente durante períodos de calor, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis.
No período de fumaça, beber água também ajuda a manter as vias respiratórias hidratadas.
Além da água, frutas e refeições mais leves podem fazer parte da rotina nos dias mais quentes. Para bebês e crianças pequenas, a oferta de líquidos deve respeitar a idade e as orientações do profissional de saúde que acompanha a criança.
Evite sol e brincadeiras ao ar livre nos horários mais quentes
Outro cuidado envolve a rotina fora de casa.
Nos dias de calor intenso, atividades ao ar livre devem ser concentradas, sempre que possível, nos períodos mais frescos, como no início da manhã ou no fim da tarde. O Ministério da Saúde orienta evitar esforços físicos mais intensos entre 10h e 16h, período em que as temperaturas tendem a ser mais elevadas.
Roupas leves, largas e de cores claras também ajudam o organismo a lidar melhor com as altas temperaturas.
Em períodos com presença significativa de fumaça, porém, mesmo os horários mais frescos podem não ser adequados para brincadeiras, esportes ou outras atividades externas.
Nesse caso, a recomendação é reduzir a permanência ao ar livre e evitar exercícios, já que a atividade física faz a criança respirar mais rapidamente e, consequentemente, aumenta a quantidade de partículas poluentes inaladas.
E quando está quente, mas a casa precisa ficar fechada por causa da fumaça?
Essa pode ser uma das principais dificuldades enfrentadas pelas famílias durante a estiagem em Manaus.
Em condições normais de calor, abrir a casa nos horários mais frescos pode ajudar a reduzir a temperatura interna. Quando o ar externo estiver carregado de fumaça, porém, portas e janelas devem permanecer fechadas para diminuir a entrada de partículas.
Quando possível, podem ser utilizados ar-condicionado, purificadores ou outros recursos para garantir conforto térmico sem aumentar a entrada de ar contaminado.
A Semsa também já recomendou o uso de umidificadores para reduzir o desconforto provocado pelo ar seco.
A ventilação da casa pode ser retomada quando houver melhora das condições do ar externo.
Máscara ajuda contra a fumaça?
Se houver fumaça intensa e for indispensável sair de casa, o Ministério da Saúde recomenda respiradores do tipo N95, PFF2 ou P100, desde que estejam corretamente ajustados ao rosto. Esses equipamentos oferecem maior proteção contra partículas finas do que máscaras comuns.
No caso de crianças, porém, o tamanho e o ajuste adequado devem ser observados com atenção. A principal recomendação continua sendo reduzir a exposição e permanecer em ambiente protegido sempre que possível, especialmente para crianças pequenas.
Criança com asma ou bronquite exige cuidado redobrado
Pais de crianças com asma, bronquite, rinite ou outras condições respiratórias devem prestar atenção ainda maior durante episódios de fumaça.
Medicamentos prescritos para controle ou crises devem estar disponíveis e ser utilizados conforme a orientação médica. A exposição desnecessária ao ar livre deve ser reduzida quando houver piora da qualidade do ar.
A fumaça não precisa estar necessariamente próxima a um incêndio para causar impactos. Dependendo dos ventos e das condições atmosféricas, partículas produzidas pelas queimadas podem viajar grandes distâncias e alcançar áreas urbanas.
Atenção aos sinais de alerta
Além dos sintomas respiratórios, pais e responsáveis devem observar possíveis sinais de problemas relacionados ao calor.
Entre os sintomas indicados pelo Ministério da Saúde estão fraqueza, tontura, náusea, dor de cabeça, transpiração excessiva e cãibras. Quadros mais graves de estresse térmico podem envolver confusão mental, convulsões ou perda de consciência e representam uma emergência médica.
Dificuldade para respirar, piora importante de uma crise de asma, alterações de consciência ou sintomas intensos também exigem avaliação médica.
Em Manaus, casos leves podem ser avaliados na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Em situações graves, a orientação é procurar um serviço de urgência e emergência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo 192.
Cuidados para adotar com as crianças
Durante os próximos meses, algumas medidas podem ser incorporadas à rotina das famílias:
- oferecer água várias vezes ao longo do dia;
- vestir a criança com roupas leves;
- evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes;
- reduzir brincadeiras e exercícios ao ar livre quando houver fumaça;
- manter portas e janelas fechadas durante episódios de poluição intensa;
- evitar que a criança fique dentro de carros estacionados, mesmo por pouco tempo;
- observar sintomas respiratórios e sinais de desidratação ou estresse pelo calor;
- manter medicamentos de uso contínuo disponíveis para crianças com doenças respiratórias;
- acompanhar alertas oficiais sobre temperatura, queimadas e qualidade do ar.
Com a estiagem avançando e a possibilidade de aumento das temperaturas e dos incêndios nos próximos meses, a prevenção dentro de casa e a adaptação da rotina podem reduzir a exposição das crianças aos principais riscos do período seco em Manaus.


