A atriz Glória Menezes, um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, no Rio de Janeiro. A artista morreu em casa e, segundo sua equipe, a morte ocorreu por causas naturais.
A informação sobre a morte foi confirmada pela família e pela assessoria da atriz. Até a atualização desta matéria, não haviam sido divulgados oficialmente detalhes sobre velório e sepultamento.
Com mais de seis décadas dedicadas à atuação, Glória Menezes atravessou diferentes fases da televisão brasileira e também construiu uma trajetória marcante no teatro e no cinema. Na Globo, estreou em 1967 e participou de mais de 40 novelas da emissora.
Do teatro à televisão
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Glória Menezes se chamava Nilcedes Soares de Magalhães. Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo, onde iniciou sua formação artística.
Apaixonada pelo teatro, ingressou na Escola de Arte Dramática e participou da criação do grupo Jovens Independentes. Em 1959, ganhou um prêmio de atriz revelação e, no mesmo ano, estreou na televisão em “Um Lugar ao Sol”.
Pouco depois, a carreira ganhou projeção também no cinema. Glória interpretou Rosa em “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte. Lançado em 1962, o longa venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Em 1963, a atriz protagonizou “2-5499 Ocupado”, novela em que contracenou com Tarcísio Meira. O encontro profissional se transformaria também em uma das relações mais conhecidas da história da televisão brasileira.
Glória Menezes e Tarcísio Meira
Glória Menezes e Tarcísio Meira se casaram em 1963 e permaneceram juntos por quase seis décadas. O ator morreu em agosto de 2021, aos 85 anos, em decorrência de complicações da Covid-19.
Além da vida pessoal, os dois construíram uma extensa parceria artística.
Na Globo, dividiram cenas em produções como “Sangue e Areia” (1967), “Rosa Rebelde” (1969), “Irmãos Coragem” (1970), “Espelho Mágico” (1977), “Guerra dos Sexos” (1983), “Páginas da Vida” (2006) e “A Favorita” (2008).
Em 1988, o casal ganhou ainda uma produção própria: o seriado “Tarcísio & Glória”, dirigido por Daniel Filho.
Glória deixa três filhos. Maria Amélia e João Paulo nasceram de um casamento anterior, enquanto Tarcísio Filho, também ator, é filho de sua união com Tarcísio Meira.
Personagens que marcaram gerações
Ao longo da carreira, Glória Menezes transitou entre mocinhas, personagens cômicas, mulheres dramáticas e vilãs.
Em “Irmãos Coragem”, de 1970, viveu Lara, uma jovem com três personalidades diferentes. A produção se tornou um dos grandes sucessos da Globo e consolidou ainda mais o nome da atriz na televisão.
Outro trabalho marcante veio em “Brega & Chique”, de 1987. Na trama, Glória interpretou uma dona de casa de origem humilde cuja vida se transforma depois de receber uma herança milionária.
Três anos depois, mostrou uma faceta diferente ao assumir o papel da vilã Laurinha Figueroa, em “Rainha da Sucata”, de 1990. A personagem se tornou uma das mais lembradas de sua carreira.
A trajetória de Glória também inclui produções como “Pai Herói”, “Jogo da Vida”, “Corpo a Corpo”, “Deus nos Acuda”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino”, “Joia Rara” e “A Favorita”.
Últimos trabalhos
Um dos últimos personagens de Glória Menezes em novelas foi Stelinha, em “Totalmente Demais”, exibida entre 2015 e 2016. Na história, ela interpretava a mãe de Arthur, personagem de Fábio Assunção.
Depois disso, a atriz passou a fazer aparições mais pontuais na televisão. Participou de produções como “Tá no Ar: a TV na TV” e, em 2025, foi homenageada pela Globo em uma edição do programa “Tributo”, na qual relembrou momentos da vida e da carreira.
Homenagem dias antes da morte
A morte ocorreu poucos dias depois de uma das mais recentes homenagens à trajetória de Glória Menezes.
Em 12 de agosto de 2026, a atriz foi homenageada na terceira edição da Calçada da Fama dos Estúdios Globo. Tarcísio Filho representou os pais na cerimônia. Tarcísio Meira recebeu uma estrela póstuma.
Assim, apenas seis dias separaram a homenagem da morte da atriz.
Um legado de mais de seis décadas
A morte de Glória Menezes encerra uma trajetória que se confunde com a própria evolução da dramaturgia brasileira.
Da época dos teleteatros e das primeiras novelas diárias às grandes produções da Globo, a atriz esteve presente em diferentes momentos da televisão nacional. Ao mesmo tempo, deixou trabalhos importantes no cinema e no teatro.
Sua morte ocorre ainda em uma semana de perdas significativas para a dramaturgia brasileira. A também veterana Laura Cardoso morreu aos 98 anos, na noite de segunda-feira (17), em São Paulo.
Com Glória Menezes, o Brasil perde uma das artistas que ajudaram a construir a história da televisão no país e deixa personagens que permanecem na memória de diferentes gerações.


