O incêndio no lixão de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, chegou ao quinto dia nesta terça-feira (18). Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) continuam no local, em trabalho ininterrupto, para eliminar os focos e evitar que o fogo volte a se espalhar. Cerca de 500 mil litros de água já foram utilizados na operação.
O fogo começou na tarde de quinta-feira (13), na área de descarte localizada no quilômetro 6 da rodovia AM-070. Segundo informações atribuídas ao CBMAM, o incêndio permanece confinado dentro de uma área de aproximadamente 40 mil metros quadrados.
Bombeiros mantêm operação 24 horas
As equipes trabalham em sistema contínuo, com apoio de viaturas de combate a incêndio, máquinas pesadas e drone. O equipamento aéreo auxilia no monitoramento e no mapeamento dos pontos onde ainda há focos de calor.
A Prefeitura de Iranduba também disponibilizou equipamentos para a operação, entre eles escavadeira, carros-pipa e caminhões-caçamba. As máquinas ajudam a movimentar os resíduos e permitem que os bombeiros alcancem pontos onde o fogo permanece ativo sob as camadas de lixo.
Esse tipo de ocorrência exige um combate prolongado justamente porque as chamas podem avançar por baixo da superfície. Nos primeiros dias da operação, o Corpo de Bombeiros explicou que o acúmulo e a variedade dos resíduos dificultavam a extinção completa do incêndio, mantendo pontos de combustão mesmo quando não havia fogo aparente na superfície.
No domingo (16), o incêndio chegou a ser considerado controlado, mas os bombeiros permaneceram na área para impedir reignições. Nesta terça-feira, as equipes ainda seguem mobilizadas e, segundo o CBMAM, o trabalho continuará até que o local seja considerado seguro e não haja risco de surgimento de novos focos.
Fumaça chegou a Manaus
Desde os primeiros dias do incêndio, a fumaça ultrapassou os limites de Iranduba e alcançou Manaus. Na sexta-feira (14), a névoa provocada pela queima foi percebida na região da Ponte Jornalista Phelippe Daou e no Porto de São Raimundo, além de bairros das zonas Oeste e Leste da capital. Moradores relataram cheiro forte de queimado e desconforto respiratório.
O caso também provocou preocupação em comunidades próximas ao lixão. Além da fumaça, moradores vêm cobrando providências relacionadas às condições da área de descarte e aos riscos para quem vive ou trabalha nas proximidades.
O Ministério da Saúde orienta que, em situações de exposição intensa à fumaça, a população aumente a ingestão de água, evite exercícios e esforços físicos ao ar livre e priorize locais fechados e protegidos. Caso seja necessário sair, máscaras do tipo N95, PFF2 ou P100 ajudam a reduzir a inalação de partículas. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares exigem atenção especial.
Defensoria pede fechamento do lixão
Enquanto os bombeiros continuam no combate, a situação do lixão ganhou um novo desdobramento judicial. Nesta terça-feira (18), a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) informou que ajuizou uma ação civil pública pedindo a interdição e o encerramento das atividades do local.
Se a Justiça aceitar os pedidos, o Município de Iranduba deverá encerrar definitivamente as atividades do lixão no prazo de 30 dias. A Defensoria também pediu que a prefeitura apresente, no mesmo período, um plano emergencial para a gestão dos resíduos sólidos e uma solução provisória ambientalmente adequada para a destinação do lixo.
A ação prevê ainda a elaboração e execução de um Plano de Recuperação da Área Degradada (PRAD) em até 120 dias. A DPE-AM pede a aplicação de multa diária equivalente a 1% do valor da causa, estimada em R$ 12 milhões, em caso de descumprimento das medidas determinadas pela Justiça.
Segundo a Defensoria, relatórios anteriores já apontavam o risco de incêndio no local. O defensor público Carlos Almeida afirmou que a instituição tenta buscar uma solução extrajudicial para a situação desde 2023 e que o incêndio ocorrido nos últimos dias reforçou a necessidade de medidas emergenciais.
Problemas no lixão são antigos
As reclamações relacionadas à área antecedem o atual incêndio. Em fevereiro deste ano, uma vistoria da Defensoria ocorreu após moradores das comunidades São Francisco, São Sebastião, Nova Conquista, Novo Paraíso e São José II relatarem problemas como poluição do ar, do solo e dos recursos hídricos.
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) também acompanha a destinação dos resíduos no município. Em janeiro, o órgão realizou uma inspeção no lixão e solicitou ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) uma fiscalização técnica para avaliar as condições da área e a eventual necessidade de interdição.
A discussão sobre a implantação de um aterro sanitário adequado em Iranduba tramita há anos. Segundo o MPAM, denúncias de moradores chegaram ao órgão ainda em 2021 e deram origem a medidas judiciais relacionadas à destinação final dos resíduos sólidos no município.
Até a atualização mais recente localizada pela reportagem, a causa do incêndio não havia sido oficialmente confirmada. O Corpo de Bombeiros segue concentrado na eliminação dos focos e na prevenção de uma nova propagação do fogo.
Com o incêndio entrando no quinto dia e a Defensoria levando o caso novamente à Justiça, o episódio amplia a pressão por uma solução definitiva para a destinação de resíduos em Iranduba. Enquanto o combate continua, o futuro da área agora também depende das medidas administrativas do município e da análise dos pedidos apresentados ao Judiciário.


