Uma mansão localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília, teria sido utilizada por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e pela lobista Roberta Luchsinger durante passagens pela capital federal. Segundo apuração publicada pelo jornal O Globo, o imóvel também teria servido de local para encontros reservados entre 2024 e 2025.
As informações foram relatadas ao jornal por três pessoas que trabalharam na residência, entre elas a ex-empregada doméstica Zildeni Souza. Conforme os relatos, Lulinha frequentava a propriedade pelo menos duas vezes por semana durante os períodos em que estava em Brasília.
Entre as pessoas que teriam comparecido ao imóvel está Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula. Procurado pelo jornal, diretamente e por meio de sua defesa, ele não teria se manifestado especificamente sobre os encontros relatados na residência.
Marcola já aparece em outra frente das apurações envolvendo Luchsinger. Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que a lobista encaminhou ao ex-assessor uma minuta de contrato relacionada à venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. O negócio não foi concretizado. Marcola confirmou anteriormente o recebimento do documento, mas negou ter atuado para favorecer a proposta.
Imóvel no Lago Sul
A residência utilizada por Luchsinger possui área de aproximadamente 2,1 mil metros quadrados e conta com três quartos, piscina, jardim, churrasqueira e um cômodo destinado a escritório, segundo a apuração publicada pelo jornal.
O imóvel era alugado pela lobista. O custo médio de aluguel de propriedades com características semelhantes na região pode chegar a cerca de R$ 240 mil por ano, conforme o levantamento divulgado pela reportagem.
Relatos sobre a presença frequente de Lulinha na residência já haviam aparecido em um processo trabalhista movido por uma ex-funcionária de Luchsinger. Mensagens anexadas ao processo indicariam que o filho do presidente utilizava a casa quando estava em Brasília.
Investigação da Polícia Federal
A relação entre Lulinha e Roberta Luchsinger integra investigações conduzidas pela Polícia Federal. Um dos inquéritos apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo a comercialização de produtos à base de cannabis medicinal e possíveis contatos com integrantes do Ministério da Saúde e do Palácio do Planalto.
Segundo informações da investigação, a suspeita é de que Lulinha e Luchsinger tenham atuado em favor da World Cannabis, empresa ligada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A Polícia Federal também apura movimentações financeiras e contatos entre os envolvidos.
A existência da investigação, entretanto, não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas. O caso permanece sob apuração.
O que dizem as defesas
Procurada por O Globo sobre a utilização da residência, a defesa de Fábio Luís afirmou que ele não morava no imóvel. Os advogados também sustentam que o filho do presidente não praticou irregularidades e que ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Em manifestações anteriores sobre as investigações, a defesa de Lulinha também negou envolvimento em atos ilícitos e questionou o vazamento de informações de procedimentos que tramitam sob sigilo.
A defesa de Roberta Luchsinger informou ao jornal que não se pronunciaria sobre os relatos envolvendo a residência.
As circunstâncias dos encontros e a eventual relação deles com os fatos investigados pela Polícia Federal ainda são objeto de apuração, não havendo, até o momento, conclusão definitiva sobre eventual prática de crime pelos envolvidos.
*Com informações do O Globo
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