Quase nove meses após a morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, o pedido por justiça continua presente em Manaus. Cartazes com fotografias da criança e a frase “Justiça por Benício!” são vistos afixados em pontos da capital amazonense.
A mobilização ocorre enquanto segue na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus a ação penal que apura a morte do menino, ocorrida após atendimento no Hospital Santa Júlia, em novembro de 2025. A médica Juliana Brasil Santos e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia permanecem rés por homicídio qualificado.
Até o momento, porém, não há decisão de pronúncia determinando que as duas sejam julgadas pelo júri popular.
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Em que fase está o processo?
A ação penal, de número 0693007-45.2025.8.04.1000, tramita na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus.
Em junho, a Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) contra Juliana e Raiza. As duas passaram a responder por homicídio qualificado, na modalidade de dolo eventual, com a qualificadora do emprego de veneno. Juliana também foi denunciada por falsidade ideológica.
O Tribunal de Justiça do Amazonas divulgou oficialmente o recebimento da denúncia.
Segundo a acusação, a médica teria prescritoido uma superdosagem de adrenalina por via intravenosa, posteriormente administrada pela técnica de enfermagem. O Ministério Público sustenta ainda que a aplicação ocorreu sem o cumprimento do protocolo de dupla checagem.
As acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo e não representam condenação.
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Justiça manteve denúncia em julho
Um dos desdobramentos judiciais mais recentes ocorreu em 24 de julho de 2026. Na ocasião, o juiz Rafael Rodrigo da Silva Raposo manteve o recebimento da denúncia e rejeitou questionamentos apresentados pela defesa de Juliana contra o prosseguimento da ação.
A decisão judicial de 24 de julho está disponível na íntegra neste documento.
Na mesma decisão, o magistrado autorizou o acesso da defesa às provas digitais reunidas no processo, incluindo registros relacionados ao sistema hospitalar Tasy, vídeos, metadados e logs de auditoria.
A defesa também solicitou novas perícias, informações de instituições e empresas e outras diligências. O juiz determinou manifestação do Ministério Público antes de analisar parte desses requerimentos.
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O processo, portanto, ainda está na etapa anterior a uma eventual submissão das acusadas ao júri popular.
Após a produção das provas e demais atos da instrução, caberá ao juiz decidir se existem elementos suficientes para pronunciar Juliana e Raiza. A pronúncia é a decisão que encaminha o acusado para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Também são possíveis outros desfechos previstos na legislação, conforme a avaliação das provas reunidas no processo.
O andamento pode ser acompanhado pela consulta processual do Tribunal de Justiça do Amazonas, utilizando o número 0693007-45.2025.8.04.1000.
Cartazes mantêm pedido por justiça nas ruas
Enquanto o caso continua em tramitação judicial, a cobrança pela responsabilização dos envolvidos permanece fora dos autos.
Cartazes com fotografias de Benício e a mensagem “Justiça por Benício!” foram encontrados afixados em espaços de Manaus. A mobilização acompanha outras manifestações realizadas desde a morte da criança.
Familiares e apoiadores já promoveram protestos em frente ao Hospital Santa Júlia e em outros pontos da capital para cobrar esclarecimentos sobre o caso.
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Em abril deste ano, outro protesto foi registrado no hospital, quando um homem vestido de palhaço realizou uma manifestação cobrando justiça pela morte do menino.
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Agora, meses após a morte, os cartazes mantêm o rosto de Benício e o pedido por justiça visíveis pela cidade.
Juliana Brasil Santos e Raiza Bentes Praia permanecem na condição de rés. Não há condenação nem decisão, até o momento, determinando o julgamento das duas pelo júri popular. A responsabilidade criminal será definida no decorrer da ação penal.


