HomeNotíciasBrasilMarabraz pede recuperação judicial com dívida de R$ 140 milhões e cita...

Marabraz pede recuperação judicial com dívida de R$ 140 milhões e cita disputa familiar

Pedido reúne cinco empresas ligadas à rede de móveis; companhia afirma enfrentar crise de liquidez provocada por restrição de crédito, juros elevados e conflitos societários

A rede de móveis e eletrodomésticos Marabraz protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo com um passivo declarado de aproximadamente R$ 140,2 milhões. A ação foi apresentada no sábado (15) à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista e reúne cinco empresas ligadas à operação da varejista.

Integram o pedido a Comercial de Móveis Jordanésia, S.V.C. Jaraguá Comercial, Comercial Móveis das Nações, Comercial Zena Móveis e Monta Móveis Prestadora de Serviços. Segundo a petição, as sociedades estão sob controle comum e mantêm relações operacionais e patrimoniais entre si.

A defesa da Marabraz, conduzida pelo escritório Campana Pacca Advogados, sustenta que a crise é principalmente financeira e de liquidez. A companhia aponta como fatores a alta dos juros, restrições de acesso ao crédito, retração do consumo, inadimplência e mudanças no mercado varejista.

Disputa familiar afetou acesso a crédito

Além do cenário econômico, o pedido revela que conflitos societários e familiares tiveram impacto sobre a estrutura de financiamento utilizada durante anos pelo grupo.

De acordo com a petição, imóveis comerciais, centros de distribuição e outros ativos pertencentes a uma holding da família controladora eram utilizados como garantias para empréstimos destinados, entre outras finalidades, ao capital de giro da Marabraz. Com o avanço das disputas entre integrantes da família, parte desses bens deixou de estar disponível para garantir novas operações financeiras.

Segundo a empresa, a mudança levou instituições financeiras a exigir novas garantias, reduzir limites, elevar o custo do crédito e, em determinados casos, deixar de renovar linhas utilizadas para financiar a operação. A Marabraz sustenta que a restrição ocorreu sem que houvesse perda da capacidade operacional das lojas.

A disputa envolve gerações da família Fares. Em 2024, Nasser e Jamel Fares recorreram à Justiça contra filhos e sobrinhos para tentar recuperar participações de uma holding patrimonial que havia passado aos herdeiros. Eles obtiveram decisão favorável em primeira instância em março de 2025, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu a sentença meses depois.

Empresa do grupo já teve falência decretada

O pedido de recuperação ocorre ainda em meio a outro processo envolvendo a Comercial de Móveis Jordanésia, empresa que concentra as operações realizadas sob a marca Marabraz.

Segundo a petição, a falência da companhia chegou a ser decretada em processo iniciado em 2025. Os efeitos da decisão, porém, foram suspensos pela 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo enquanto um recurso é analisado. A existência desse processo anterior é apontada como razão para a tramitação do novo pedido na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais.

O que a Marabraz pede

Em caráter de urgência, o grupo solicita à Justiça medidas destinadas a manter a operação durante a análise do processo, incluindo a liberação de recursos eventualmente bloqueados e a suspensão de cobranças relacionadas aos créditos sujeitos à recuperação.

A empresa também pede que sejam mantidos serviços considerados essenciais às lojas, como energia elétrica, água, telefonia, internet, sistemas de tecnologia e processamento de pagamentos por cartões. Caso o processamento da recuperação seja deferido, a Marabraz solicita ainda a suspensão de execuções por 180 dias e prazo de 60 dias para apresentar o plano de recuperação judicial.

A companhia informou que as lojas permanecem abertas e afirmou que pretende preservar empregos e manter as relações com clientes, fornecedores e parceiros durante a reestruturação.

De mascate à rede de móveis

A história da família à frente da Marabraz começou com a chegada ao Brasil do imigrante libanês Abdul Hamid Mohamad Fares, na década de 1950. Ele começou trabalhando como mascate e, em 1965, abriu a Credi-Fares, primeira loja de móveis da família, na Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo.

Após a morte do fundador, em 1978, os filhos deram continuidade aos negócios. A família adquiriu a marca Lojas Marabraz em 1986, e a rede chegou posteriormente a contar com 135 unidades em diferentes regiões do estado de São Paulo.

O caso ocorre em um momento de aumento das dificuldades financeiras no varejo brasileiro. Dados citados pela Folha de S.Paulo mostram que o número de empresas em recuperação judicial no país passou de 3.823 no segundo trimestre de 2023 para 6.341 no mesmo período de 2026, alta de 65,8%, com o varejo entre os setores pressionados pelo custo do crédito.

📲 Fique por dentro das notícias de Manaus e do Amazonas em tempo real. Acesse o canal do Portal Manaós no WhatsApp e acompanhe tudo pelo zap.

- Continua após a publicidade -spot_img
spot_img
Últimas notícias
- Continua após a publicidade -
Mais como esta

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here