A disputa pelo Governo do Amazonas já começa a ocupar as conversas nas ruas. Entre eleitores que decidiram o voto e aqueles que ainda avaliam os candidatos, confiança, propostas, experiência e rejeição aparecem como fatores importantes na escolha.
Os depoimentos colhidos pela reportagem mostram que não existe um único critério para definir o próximo governador. Enquanto alguns priorizam propostas e histórico político, outros consideram relações de confiança e experiências anteriores com os candidatos.
Seu Joaquim, de 62 anos, afirma que já fez sua escolha e que a decisão passou principalmente pela confiança.
“Não foi lendo programa de governo, não. Foi na confiança mesmo. Acompanho política há muitos anos. Tem quem vote por amizade, por promessa. Eu voto por gratidão e por confiança”, afirma.
Para o cientista político Helso Ribeiro, essa diversidade reflete um eleitorado heterogêneo.
“O eleitorado é altamente heterogêneo. Algumas pessoas olham o programa partidário, outras têm uma visão ideológica, outras possuem relações políticas ou devem favores. São múltiplos os direcionamentos que determinam o voto”, analisa.
Propostas e experiência
Professor Carlos, de 38 anos, afirma que procura equilibrar diferentes fatores antes de escolher.
“Como educador, quero ver proposta, plano de governo bem feito. Mas experiência também conta. E a confiança pesa demais. Se eu não confio no candidato, nada do resto importa”, diz.
Segundo ele, a decisão acaba misturando aspectos objetivos e pessoais.
“No fundo, a gente mistura tudo isso na hora de votar: razão, sentimento, memória, medo e esperança.”
Helso Ribeiro ressalta, porém, que ser conhecido ou considerado preparado não significa necessariamente conquistar votos.
“Às vezes, o conhecimento do candidato é algo para bater palmas, mas não para colocar votos na urna. Isso ocorre com muita frequência”, avalia.
Rejeição pode limitar candidaturas
Dona Neide, de 58 anos, já sabe que existem candidatos nos quais não pretende votar.
“Não adianta vir com discurso bonito, prometer mundos e fundos, se eu já sei que não cumpre. Para mim isso é um muro. Se já decidi que não voto em alguém, pode falar o que for que não muda”, afirma.
Para Helso, a rejeição tem peso principalmente em disputas majoritárias, quando o candidato precisa ampliar sua base de apoio.
“Uma baixa rejeição permite captar votos até o momento da eleição. Já uma alta rejeição é um muro tão alto que impede você de saltar”, explica.
Segurança e saúde entre prioridades
Além da imagem dos candidatos, problemas enfrentados diariamente pela população também influenciam a escolha.
Motorista de aplicativo, seu Raimundo, de 50 anos, aponta segurança e saúde como prioridades.
“Eu trabalho na rua o dia inteiro, enfrento perigo e ainda chego em casa preocupado se vai ter leito nos hospitais. O candidato que apresentar propostas factíveis, que a gente veja que dá para fazer, esse vai ter meu voto”, afirma.
Helso Ribeiro também coloca segurança, saúde e emprego entre os temas capazes de mobilizar parte significativa dos eleitores.
Segundo ele, candidatos que apresentarem propostas consideradas viáveis podem ganhar espaço principalmente entre aqueles que direcionam o voto pela capacidade de solucionar problemas públicos.
Jovens ainda avaliam candidatos
A indecisão também aparece entre os mais jovens.
Thamires, de 22 anos, afirma que pretende analisar melhor as propostas antes de escolher.
“Quero entender de verdade o que cada candidato propõe para educação, meio ambiente e para as pautas que a minha geração defende. Mas é tanta informação ao mesmo tempo, tanto vídeo no TikTok, tanta fala desencontrada, que fico perdida”, relata.
Ela diz que pretende acompanhar debates e a propaganda eleitoral antes de definir o voto.
Na avaliação de Helso Ribeiro, ainda existe espaço para mudanças até a eleição, embora essa possibilidade diminua conforme a votação se aproxima.
“Até o dia da eleição dá para trabalhar na mudança de votos. Mas, quanto mais próximo, cada vez fica mais difícil alterar uma grande parte do eleitorado”, afirma.
Escolha passa por diferentes fatores
Os depoimentos ouvidos pela reportagem não constituem pesquisa eleitoral nem representam estatisticamente o eleitorado amazonense. As entrevistas mostram percepções individuais de moradores sobre a disputa pelo Governo do Amazonas.
Ainda assim, as respostas indicam que propostas não caminham sozinhas na decisão.
Confiança, experiência, rejeição e problemas concretos do cotidiano também pesam na escolha. À medida que a campanha avança, a disputa não acontece apenas nos palanques e nas redes sociais, mas também nas dúvidas e expectativas de quem vai decidir o próximo governador nas urnas.


