A chegada de Marco Aurélio de Lima Choy ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) teve emoção, lembranças familiares e um objeto carregado de simbolismo. Empossado desembargador nesta terça-feira (25), em Manaus, ele dedicou parte do primeiro discurso no cargo à mãe e usou uma caneta recebida anos atrás para assinar o termo de posse.
Durante a solenidade, Choy olhou para a mãe, que acompanhava a cerimônia em uma cadeira de rodas, e declarou: “Nós vencemos, mãe. Nós vencemos”. O momento repercutiu nas redes sociais e marcou a cerimônia realizada na sede do TJAM.
O novo desembargador ocupa a vaga do Quinto Constitucional destinada à advocacia, aberta após a aposentadoria de Domingos Jorge Chalub Pereira.
Choy se emociona ao falar da mãe
Sem levar um discurso escrito, Marco Aurélio Choy afirmou que preferia falar de improviso e organizou a manifestação em torno de três sentimentos: gratidão, alegria e responsabilidade.

Ao agradecer à família, destacou especialmente a presença da mãe. Segundo Choy, ela enfrentou um problema de saúde, mas conseguiu participar da solenidade.
Foi nesse momento que o magistrado compartilhou com ela a conquista da vaga no TJAM. A homenagem se tornou um dos principais registros da posse e ganhou destaque nas redes sociais.
Além da mãe, Choy também agradeceu familiares que acompanharam sua trajetória profissional e o processo que antecedeu sua chegada à Corte.
Caneta simbolizou trajetória até o TJAM
Outro momento chamou atenção antes da assinatura do termo de posse.
Choy mostrou uma caneta que, segundo ele, recebeu de um advogado da Zona Leste de Manaus. Na ocasião em que ganhou o objeto, o colega teria feito uma previsão: aquela seria a caneta utilizada por Choy quando ele se tornasse desembargador.
Anos depois, o ex-presidente da OAB-AM cumpriu a promessa e utilizou justamente o objeto para formalizar a entrada no Tribunal.
A história reforçou o tom pessoal da cerimônia, que combinou os ritos formais da posse com referências à trajetória de Choy na advocacia amazonense.
Novo desembargador defende aproximação
Ao assumir a nova função, Marco Aurélio Choy também destacou que pretende preservar a experiência acumulada durante mais de duas décadas como advogado.
Em seu pronunciamento, ele defendeu maior aproximação entre advocacia e magistratura. Para Choy, os profissionais das duas áreas não devem atuar como adversários, mas como partes essenciais do sistema de Justiça.
O novo magistrado ainda chamou atenção para o aumento da judicialização e para o volume de processos que chegam ao Poder Judiciário.
Diante desse cenário, afirmou que o fortalecimento da Justiça será fundamental para responder às demandas da sociedade.
Vaga é destinada à advocacia
Marco Aurélio Choy chegou ao TJAM por meio do Quinto Constitucional, mecanismo previsto na Constituição que reserva parte das vagas dos tribunais a integrantes da advocacia e do Ministério Público.
O processo começou com a lista encaminhada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM). Posteriormente, o Pleno do TJAM formou uma lista tríplice com Grace Anny Fonseca Benayon Zamperlini, Marco Aurélio Choy e Carlos Alberto de Moraes Ramos Filho.
O governador Roberto Cidade escolheu Choy para a vaga, e a nomeação foi publicada no Diário Oficial do Estado em 11 de agosto.
Trajetória na advocacia
Aos 46 anos, Marco Aurélio Choy tem longa atuação no meio jurídico do Amazonas.
Ele é formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutor em Direito Constitucional pela Universidade de Fortaleza (Unifor).
Choy também é professor concursado da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), atuou como procurador do Município de Manaus e presidiu a OAB Amazonas entre 2016 e 2021.
Agora, deixa a advocacia para iniciar uma nova etapa profissional na magistratura.
Entre a homenagem à mãe, a caneta guardada para um momento que ainda parecia distante e o compromisso assumido diante da Corte, a posse de Marco Aurélio Choy no TJAM acabou marcada não apenas pela formalidade do cargo, mas pelas referências ao caminho percorrido até chegar ao segundo grau do Judiciário amazonense.


