Uma professora de 61 anos foi agredida a socos por um aluno de 14 anos dentro de uma sala de aula do Colégio Estadual Cívico-Militar Monsenhor Josemaria Escriva, no Jardim Pacaembu, Zona Norte de Londrina, no Paraná. O caso ocorreu na segunda-feira (24/8) e ganhou repercussão após a educadora divulgar imagens dos ferimentos nas redes sociais.
A vítima é a professora Márcia Luciana da Rocha Dei Tos, que leciona Português, Redação e Leitura e atua na educação há mais de 20 anos. Segundo a docente, o episódio começou nos minutos finais da aula, após o adolescente pedir autorização para ir ao banheiro.
Márcia relatou que pediu ao estudante que aguardasse o fim da aula e, diante da insistência, solicitou que ele mostrasse o caderno com a atividade desenvolvida durante o período. De acordo com a professora, o aluno passou a insultá-la após ser contrariado.
Professora relata sequência de agressões
Conforme o relato da docente, ela se dirigiu à porta da sala para buscar auxílio de um responsável pela disciplina da unidade. Nesse momento, o adolescente teria chegado antes, impedido a saída e danificado o chaveiro usado na porta. Em seguida, segundo Márcia, ele passou a golpeá-la na região da cabeça.
Outros estudantes intervieram e conseguiram afastar o adolescente. No entanto, ainda de acordo com a professora, ele voltou em sua direção e desferiu outro soco, desta vez na região do olho.
O golpe quebrou os óculos da educadora e provocou sangramento. Márcia precisou receber atendimento médico e levou um ponto na região da pálpebra. Ela também apresentou edemas na cabeça e posteriormente realizou exame de lesão corporal no Instituto Médico Legal (IML).
Nas redes sociais, a professora publicou uma fotografia mostrando o rosto ferido e afirmou que não reagiu fisicamente às agressões.
“Em nenhum momento revidei fisicamente”, escreveu.
Ao tornar o episódio público, Márcia afirmou ainda que pretende chamar atenção para a violência enfrentada por profissionais da educação e resumiu sua posição com a frase: “Ensinar exige respeito”.
Polícia foi acionada e caso chegou à Justiça
Após o episódio, a polícia foi acionada e Márcia registrou um boletim de ocorrência. O adolescente e o pai dele também foram encaminhados à unidade policial para os procedimentos relacionados ao caso.
Segundo informações da Polícia Civil do Paraná divulgadas pelo UOL, o adolescente foi apreendido, passou pelos procedimentos na delegacia e depois foi liberado. O caso foi encaminhado à Justiça. Por se tratar de um menor de idade, a identidade do estudante não foi divulgada.
A professora também passou por exame no IML para documentar as lesões provocadas pela agressão.
Núcleo Regional acompanha o caso
O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina informou que as autoridades competentes foram acionadas assim que a direção tomou conhecimento do episódio.
Segundo o órgão, a equipe escolar adotou os procedimentos previstos, enquanto a professora recebeu atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O NRE afirmou ainda que acompanha a situação e presta suporte à comunidade escolar.
Márcia recebeu atestado médico de cinco dias e permanece afastada das atividades durante a recuperação. Ela havia começado a trabalhar naquela unidade há menos de um mês e atua por meio de Processo Seletivo Simplificado (PSS).
O episódio também reacendeu a discussão sobre a segurança de professores dentro das escolas. Em seu relato, Márcia afirmou que nunca havia sofrido uma agressão física desse tipo em mais de duas décadas de profissão e cobrou maior proteção para os profissionais que atuam diariamente em sala de aula.


