O rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, monarca do Reino de Tooro, em Uganda, morreu aos 34 anos. A morte foi confirmada pelo primeiro-ministro do reino, Calvin Armstrong Rwomiire Akiiki, na noite de quinta-feira (27).
Segundo o comunicado oficial, Oyo morreu por volta das 22h, no horário local. O monarca estava em tratamento médico nos Estados Unidos. Até esta sexta-feira (28), o Reino de Tooro não havia divulgado oficialmente a doença que levou à morte.
A notícia provocou manifestações de pesar em Uganda. O reino informou oficialmente a morte ao presidente Yoweri Museveni e pediu que a população de Tooro permaneça unida e tranquila durante o período de luto.
Rei desde os 3 anos
Oyo nasceu em 16 de abril de 1992 e entrou para a história ao assumir o trono ainda criança.
Ele foi coroado em 12 de setembro de 1995, aos 3 anos, após a morte do pai, o rei Patrick David Matthew Kaboyo Olimi III. Na época, tornou-se conhecido internacionalmente como o monarca reinante mais jovem do mundo.
Por causa da pouca idade, um conselho de regentes passou a auxiliar na condução dos assuntos do reino. O grupo incluía integrantes da família real e figuras políticas de Uganda.
Somente ao atingir a maioridade, em 2010, Oyo assumiu plenamente as atribuições relacionadas ao Reino de Tooro. Ao todo, permaneceu no trono por quase 31 anos.
Tratamento nos Estados Unidos
Nas horas que antecederam a confirmação da morte, autoridades do Reino de Tooro haviam informado que o rei estava em estado crítico de saúde e sob cuidados médicos.
O primeiro-ministro Calvin Rwomiire chegou a pedir orações e cautela diante de informações que circulavam sobre a condição do monarca. Horas depois, o reino anunciou oficialmente a morte.
Oyo estava recebendo tratamento nos Estados Unidos. Apesar de publicações apontarem que ele enfrentava um câncer, essa informação não foi confirmada oficialmente pelo Reino de Tooro. A causa da morte permanece, portanto, sem divulgação oficial.
Tooro é um reino dentro de Uganda
Apesar do título de rei, Oyo não era chefe de Estado de Uganda.
Uganda é uma república comandada por um presidente eleito. No entanto, o país mantém diferentes monarquias tradicionais, entre elas o Reino de Tooro, localizado na região oeste.
Essas instituições exercem principalmente funções culturais e sociais e não possuem o poder político de uma monarquia que governa um país. Ainda assim, os reis tradicionais mantêm forte influência entre as comunidades que representam.
O Reino de Tooro tem como centro a cidade de Fort Portal e representa principalmente o povo Batooro.
Sucessão já está prevista
Após anunciar a morte, o primeiro-ministro do Reino de Tooro afirmou que a continuidade da Coroa está assegurada.
Segundo Calvin Rwomiire, Oyo deixou um príncipe como herdeiro. A identidade do sucessor será apresentada oficialmente de acordo com os costumes e as tradições da família real.
“A continuidade da Coroa está assegurada”, afirmou o primeiro-ministro ao anunciar a existência do herdeiro.
Até o momento, o reino ainda não divulgou todos os detalhes sobre as cerimônias de despedida e o processo de sucessão.
País presta homenagens
A morte de Oyo provocou homenagens de integrantes de outros reinos tradicionais, autoridades e lideranças políticas de Uganda.
Representantes dos reinos de Buganda e Busoga manifestaram solidariedade à família real e ao povo de Tooro. A morte também repercutiu entre autoridades do governo e nomes da oposição.
A trajetória incomum do monarca marcou a história recente de Uganda. Oyo chegou ao trono ainda na primeira infância e permaneceu como símbolo da tradição de Tooro durante mais de três décadas.
Agora, o Reino de Tooro inicia um novo período de transição, enquanto aguarda a apresentação formal do herdeiro e a divulgação das cerimônias de despedida.


