Estudantes da Rússia a partir dos 13 anos passarão a ter mais aulas de treinamento militar nas escolas a partir da próxima semana. A mudança faz parte da reformulação da disciplina obrigatória “Fundamentos da Segurança e da Defesa da Pátria”, determinada pelo Ministério da Educação da Rússia.
Pela nova regra, metade da carga horária semanal da disciplina será dedicada à preparação militar básica. Os alunos terão contato com conteúdos sobre armamentos, incluindo metralhadoras, armas antitanque e granadas de mão, além de primeiros socorros para ferimentos de combate, disciplina militar e procedimentos de emergência.
O currículo também prevê aulas sobre minas e riscos de explosões, exposição a agentes químicos e radiação, técnicas de sobrevivência, estresse em situações de emergência e atuação em zonas de conflito. Os estudantes ainda receberão informações sobre a estrutura das Forças Armadas e a doutrina de segurança nacional da Rússia.
A ampliação ocorre em meio ao avanço da militarização do sistema educacional russo durante a guerra na Ucrânia. Parte desses conteúdos já era oferecida a alunos mais velhos, mas a reformulação antecipa o treinamento para adolescentes a partir dos 13 anos.
A presença de veteranos da guerra nas escolas também vem sendo ampliada. Segundo uma pesquisa com mais de 2,6 mil gestores e professores russos, 95% das escolas realizam eventos relacionados à guerra na Ucrânia, mais de 80% recebem combatentes para conversar com estudantes e quase 75% promovem aulas específicas sobre o conflito.
A medida também aproxima a formação escolar do sistema de recrutamento militar russo. Homens a partir dos 18 anos estão sujeitos ao serviço militar obrigatório de um ano. Embora os conscritos não possam ser enviados oficialmente para combater na Ucrânia, jovens podem ser incentivados a assinar contratos profissionais com as Forças Armadas, o que permite o envio para a guerra.
A política retoma elementos do antigo treinamento militar praticado durante a União Soviética, quando estudantes aprendiam, entre outras atividades, técnicas de marcha, uso de máscaras de gás e montagem de fuzis. A diferença, segundo pesquisadores citados no material, é que a preparação atual ocorre em um contexto de guerra em andamento e de forte presença da propaganda militar nas escolas.
(*)Com informações da Bloomberg e Exame


