Manaus amanheceu novamente encoberta por fumaça nesta quarta-feira (9), pelo segundo dia consecutivo. A névoa reduziu a visibilidade em diferentes pontos da cidade e o cheiro de queimado voltou a ser percebido por moradores durante as primeiras horas da manhã.
O cenário veio acompanhado de uma piora da qualidade do ar. Segundo a Defesa Civil Municipal, a concentração de material particulado fino, conhecido como MP2,5, chegou a 87,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³), índice classificado pelo órgão como “muito ruim”.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), ligado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também apontaram concentrações elevadas no início da manhã. Por volta das 6h, algumas estações chegaram a registrar 116,5 µg/m³, 115,9 µg/m³, 111,3 µg/m³, 107,9 µg/m³ e 98,8 µg/m³ de MP2,5. Os níveis variavam conforme a região monitorada.
Os sensores do Selva são utilizados para indicar as condições locais da qualidade do ar, e as medições podem apresentar diferenças entre bairros e horários.
Fumaça vem de queimadas fora de Manaus
A Defesa Civil informou que a camada observada sobre a capital está relacionada a queimadas localizadas no sul do Amazonas, em Rondônia e no norte de Mato Grosso.
A fumaça percorre grandes distâncias até chegar à cidade devido à circulação dos ventos nas camadas mais baixas da atmosfera. Segundo o órgão municipal, uma mudança temporária nesse padrão ocorreu com o avanço de uma frente fria pelo Centro-Sul do Brasil, favorecendo o deslocamento das plumas em direção a Manaus.
Dessa forma, a presença de fumaça na capital não significa necessariamente que os incêndios responsáveis estejam ocorrendo dentro da área urbana ou nas proximidades imediatas da cidade.
O meteorologista Fábio Nunes, do Laboratório de Clima e Ambiente (Labclim) da UEA, também explicou que a estiagem contribui para a permanência das partículas no ar. Com pouca chuva, diminui a remoção natural dos poluentes da atmosfera, permitindo que a fumaça permaneça por mais tempo sobre a região.
Segundo dia de céu encoberto
A mudança na paisagem começou a chamar atenção na terça-feira (8), quando uma camada de fumaça já podia ser observada em diferentes regiões de Manaus.
Naquela manhã, sensores do Selva registraram concentrações de partículas entre 23,2 e 46,2 µg/m³ em diferentes pontos monitorados. Parte das estações apresentava qualidade do ar classificada como moderada.
Já nesta quarta-feira, alguns sensores ultrapassaram a marca de 100 µg/m³ durante as primeiras horas do dia, evidenciando uma maior concentração de partículas em determinados locais e horários.
A comparação, entretanto, não representa uma média geral da capital, porque as concentrações variam de acordo com o ponto de monitoramento, o horário, a direção dos ventos e outras condições atmosféricas.
Partículas podem chegar aos pulmões
Além de alterar a visibilidade, a fumaça das queimadas traz riscos à saúde.
O principal motivo de preocupação é justamente o MP2,5, formado por partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem extremamente pequenas, elas conseguem penetrar profundamente nas vias respiratórias e alcançar os alvéolos pulmonares.
O Ministério da Saúde alerta que a exposição pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar quadros de asma, bronquite e outras doenças pulmonares. A poluição também está associada ao agravamento de problemas cardiovasculares, principalmente entre pessoas que já possuem doenças preexistentes.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias, cardíacas ou imunológicas estão entre os grupos que precisam de atenção redobrada.
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) também publicaram, em 2026, uma nota técnica específica com orientações para vigilância, monitoramento e prevenção de problemas relacionados à exposição à fumaça.
Como reduzir a exposição
Enquanto a qualidade do ar estiver comprometida, o Ministério da Saúde recomenda reduzir o contato com a fumaça. Entre as principais medidas estão beber água regularmente, evitar exercícios e esforços intensos ao ar livre e permanecer, sempre que possível, em ambientes internos protegidos.
Caso seja indispensável sair de casa durante períodos de forte concentração de fumaça, máscaras do tipo PFF2, N95 ou P100, quando bem ajustadas ao rosto, ajudam a diminuir a inalação de partículas finas.
Pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem manter os medicamentos prescritos disponíveis e procurar atendimento caso apresentem piora dos sintomas.
Sinais como falta de ar, chiado intenso, dor no peito ou agravamento súbito de doenças respiratórias exigem atenção médica.
Monitoramento continua
A Defesa Civil Municipal informou que segue monitorando as condições da qualidade do ar em Manaus. A concentração de fumaça pode variar ao longo do dia conforme mudanças na direção e na intensidade dos ventos, ocorrência de chuvas e evolução das queimadas nas regiões de origem.
Enquanto as partículas permanecerem sobre a cidade, a orientação é reduzir a exposição e acompanhar os dados e comunicados oficiais sobre a qualidade do ar.


