Uma revisão sistemática publicada em 2026 identificou que cerca de 20% dos pacientes diagnosticados inicialmente com psicose induzida por cannabis receberam, posteriormente, diagnóstico de algum transtorno do espectro da esquizofrenia. A proporção equivale a um em cada cinco casos analisados.
O estudo foi publicado na revista científica BMC Psychiatry e reuniu dados de 13 pesquisas, com um total de 7.515 pacientes. Os trabalhos acompanharam pessoas que já haviam apresentado psicose relacionada ao consumo de cannabis.
Entre os pacientes estudados, 5% — o equivalente a um em cada 20 — receberam posteriormente diagnóstico de transtorno bipolar.
Resultado não vale para todos os usuários
Os números não significam que uma em cada cinco pessoas que consomem maconha desenvolverá esquizofrenia. A análise considerou exclusivamente pacientes que já tinham sido diagnosticados com psicose induzida por cannabis, um quadro caracterizado por sintomas como delírios ou alucinações após o consumo ou a interrupção recente da substância.
Segundo os pesquisadores, diferenciar uma psicose provocada pela cannabis de um transtorno psiquiátrico primário pode ser difícil. Em determinados casos, o episódio associado à substância pode representar a primeira manifestação de uma doença que ainda não havia sido identificada.
Por esse motivo, o estudo demonstra uma associação e não permite afirmar, isoladamente, que a cannabis causou os diagnósticos posteriores em todos os pacientes.
Acompanhamento prolongado
Os autores defendem atenção clínica e acompanhamento psiquiátrico de longo prazo após episódios de psicose induzida por cannabis. Atualmente, segundo a publicação, ainda não existem diretrizes padronizadas específicas para o tratamento desses casos.
Durante a fase aguda, os pacientes geralmente recebem medicamentos antipsicóticos e orientações para interromper o uso da substância. No entanto, o resultado da meta-análise reforça a necessidade de monitoramento mesmo depois do desaparecimento dos sintomas iniciais.
Entre os estudos que informaram a idade dos participantes, a média ponderada foi de 25,4 anos. Nos trabalhos que apresentaram dados sobre sexo, 82,3% dos pacientes eram homens.
Pesquisa apresenta limitações
Os pesquisadores observaram diferenças significativas entre os estudos analisados. As taxas variaram conforme o país, o local de atendimento, o tempo de acompanhamento e os critérios utilizados para classificar os transtornos.
Alguns trabalhos avaliaram especificamente a esquizofrenia, enquanto outros incluíram diagnósticos mais amplos, como transtorno esquizoafetivo, transtorno delirante e psicose breve. Essa diversidade limita a aplicação da taxa de 20% a todos os pacientes de maneira uniforme.
Mesmo com essas limitações, os autores concluíram que existe uma associação relevante entre a psicose induzida por cannabis e diagnósticos posteriores do espectro da esquizofrenia. A pesquisa completa também está disponível na base científica PubMed.


