A maior concentração de focos de calor no Amazonas está fora de Manaus e avança principalmente sobre municípios do interior. Levantamento realizado no Banco de Dados de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) identificou 1.676 focos no Estado entre 1º e 13 de setembro de 2026.
Os registros foram feitos pelo satélite de referência Aqua, usado pelo INPE para comparações temporais. Novo Aripuanã aparece no topo do ranking, com 270 detecções, seguido por Lábrea, com 162, e Apuí, com 146.
Somados, os cinco municípios com maior número de ocorrências responderam por aproximadamente 47% de todos os focos identificados no período.
Municípios com mais focos
O ranking extraído do BDQueimadas, sistema oficial do INPE, aponta:
| Município | Focos detectados | Participação no Estado |
|---|---|---|
| Novo Aripuanã | 270 | 16,1% |
| Lábrea | 162 | 9,7% |
| Apuí | 146 | 8,7% |
| Autazes | 107 | 6,4% |
| Manacapuru | 107 | 6,4% |
| Maués | 75 | 4,5% |
| Manicoré | 67 | 4% |
| Boca do Acre | 62 | 3,7% |
| Caapiranga | 61 | 3,6% |
| Itacoatiara | 59 | 3,5% |
| Careiro da Várzea | 57 | 3,4% |
Os dados mostram diferentes áreas de pressão. Novo Aripuanã, Apuí, Lábrea e Manicoré ficam no sul do Amazonas, região historicamente afetada pela abertura de áreas, desmatamento e uso do fogo.
Autazes, Manacapuru, Caapiranga e Careiro da Várzea aproximam o problema da Região Metropolitana de Manaus. Já Maués e Itacoatiara demonstram que as ocorrências também alcançam o leste do Estado.
Manaus teve nove detecções
Manaus registrou nove focos de calor no mesmo período, equivalentes a 0,5% do total estadual. O número mostra que a concentração detectada por satélite estava principalmente no interior.
Isso não significa que todos os episódios de fumaça ou incêndios urbanos tenham sido contabilizados. Queimadas em terrenos, lixo, vegetação rasteira ou áreas pequenas podem não ser captadas pelo satélite de referência.
Também é importante considerar que a fumaça pode se deslocar entre municípios. Assim, a presença de fumaça na capital não indica necessariamente que todos os focos tenham começado dentro de Manaus.
Incêndio mobiliza equipes na BR-319
Um incêndio florestal registrado posteriormente ao período do levantamento reforçou o alerta na área de influência da BR-319. As chamas atingiram o trecho entre os quilômetros 20 e 26, na região entre Careiro da Várzea e Careiro, desde a tarde de sábado (19).
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Segundo informações do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, reproduzidas pela Rede Onda Digital, o combate avançou pela madrugada e foi retomado na manhã de domingo (20).
A operação mobilizou 23 bombeiros e quatro viaturas, além de cerca de dez servidores da Defesa Civil Municipal. Aproximadamente 100 mil litros de água foram usados no combate.
Nenhum imóvel havia sido atingido e não havia registro de vítimas até a última atualização disponível. O Corpo de Bombeiros não informou a extensão total da área afetada nem a origem do incêndio.
A ocorrência dos quilômetros 20 a 26 não está incluída nos números de 1º a 13 de setembro apresentados no ranking. Entretanto, Careiro da Várzea já aparecia entre os municípios com maior quantidade de focos naquele recorte, com 57 detecções.
Foco de calor não é o mesmo que incêndio confirmado
O foco de calor representa uma anomalia térmica identificada pelo satélite. Uma detecção pode indicar queimada, incêndio florestal ou outra fonte intensa de calor, mas precisa de verificação em campo.
Um mesmo incêndio também pode gerar mais de uma detecção, dependendo da extensão, do tempo de duração e da passagem dos satélites. Por isso, os 1.676 registros não significam necessariamente 1.676 incêndios diferentes.
Ainda assim, o indicador permite identificar as áreas com maior concentração de fogo e orientar ações de fiscalização, prevenção e combate.
A população deve evitar qualquer uso do fogo durante o período de estiagem. Incêndios em vegetação podem ser comunicados ao Corpo de Bombeiros pelo número 193.


