O sistema elétrico de Manaus e da Região Metropolitana atingiu um novo recorde histórico de consumo de energia na noite desta quarta-feira (23). O pico chegou a 2.015 megawatts (MW) às 20h20, segundo dados do Centro de Operação do Sistema divulgados pela Âmbar Energia, concessionária responsável pelo serviço no Amazonas.
A nova marca supera o recorde anterior, de 1.997,1 MW, registrado em 14 de setembro, também durante a noite. Com isso, o sistema que atende Manaus e municípios da Região Metropolitana acumula cinco recordes de consumo desde agosto, de acordo com informações da concessionária.
O novo pico ocorre em um período de temperaturas elevadas na capital amazonense e de episódios de fumaça associados às queimadas na região.
Consumo supera marca registrada em setembro
O recorde desta quarta-feira representa um aumento de aproximadamente 17,9 MW em relação ao pico de 14 de setembro.
Na ocasião, a demanda chegou a 1.997,1 MW às 21h27. Antes disso, o sistema havia registrado 1.980 MW em 31 de agosto.
A sequência de marcas ocorre durante o período de maior calor em Manaus. Segundo a Âmbar Energia, temperaturas elevadas aumentam principalmente o uso de equipamentos de refrigeração, como ventiladores e aparelhos de ar-condicionado, contribuindo para a elevação da demanda.
Manaus registrou 38,6°C
Um dia antes do novo recorde de consumo, Manaus registrou a maior temperatura de 2026 até agora.
Na terça-feira (22), os termômetros chegaram a 38,6°C às 15h, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A marca superou em 1°C o recorde anterior do ano, de 37,6°C, registrado em 1º de setembro.
Apesar do recorde de 2026, a temperatura ainda ficou abaixo da maior marca histórica registrada na capital. Em 10 de outubro de 2023, Manaus chegou a 40°C, conforme registros do Inmet.
O calor intenso também ocorre durante o período de estiagem, quando a redução das chuvas e da nebulosidade favorece maior incidência de radiação solar.
Fumaça também marca período de calor
Além das altas temperaturas, Manaus enfrenta episódios recorrentes de fumaça. Na quarta-feira (23), a capital amanheceu novamente encoberta por fumaça, em um cenário associado ao aumento das queimadas no Amazonas e em áreas próximas.
Reportagem da Folha de S.Paulo apontou que a plataforma de monitoramento da qualidade do ar registrou, nos últimos dias, concentrações de material particulado que chegaram a 280 µg/m³. A pesquisadora Sonaira Silva, da Universidade Federal do Acre e membro da Academia Brasileira de Ciências, relacionou o cenário de calor, fumaça e queimadas às condições climáticas observadas na região.
O Inmet, por sua vez, indicou temperaturas máximas de até 37°C para Manaus na quarta-feira (23), além de possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas em partes do Amazonas.
Âmbar afirma ter reforçado estrutura
Diante da sequência de recordes, a Âmbar Energia informou que intensificou ações para preparar o sistema para os períodos de maior demanda.
Segundo informações divulgadas pela empresa, foram investidos mais de R$ 300 milhões nos últimos cinco meses em manutenção da rede, modernização de subestações, substituição de transformadores e outros equipamentos.
A concessionária também afirma ter reforçado o monitoramento do sistema, ampliado a capacidade de importação de energia pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) e adotado planos de contingência para os horários de maior consumo.
Em declaração divulgada sobre o novo recorde, o gerente de Operações da Âmbar Energia, Raimundo Júnior, afirmou que as equipes permanecem mobilizadas diante do aumento da demanda.
Demanda deve continuar sob atenção
A sucessão de recordes coloca o comportamento do consumo de energia no centro das atenções durante o período de calor mais intenso em Manaus.
O novo pico de 2.015 MW ocorreu justamente no período noturno, quando o uso residencial de equipamentos de refrigeração continua elevado. A combinação entre temperaturas altas, estiagem e crescimento da demanda mantém o sistema elétrico sob pressão.
Com a marca alcançada nesta quarta-feira, Manaus ultrapassa pela primeira vez a barreira dos 2 mil MW de demanda elétrica, consolidando um novo patamar de consumo no sistema que atende a capital e a Região Metropolitana.


