A quatro dias do primeiro turno, as prestações de contas dos candidatos ao Governo do Amazonas mostram diferenças no volume de recursos declarado e na destinação do dinheiro utilizado durante a campanha. Entre os registros disponíveis na Justiça Eleitoral, aparecem despesas milionárias com mobilização de rua, serviços jurídicos, produção audiovisual, pesquisas, transporte e publicidade.
Os dados podem ser consultados publicamente no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disponibiliza informações sobre receitas, despesas, doadores e fornecedores das candidaturas. Os valores ainda podem sofrer atualizações até a apresentação das contas finais.
Entre os sete candidatos ao governo, Omar Aziz (PSD) registra R$ 6,12 milhões em recursos recebidos. Desse montante, R$ 3 milhões foram repassados pela direção nacional do PSD e outros R$ 3 milhões pelo Republicanos.
Nas despesas registradas pela campanha de Omar, o maior valor está relacionado às atividades de militância e mobilização de rua, com R$ 2,78 milhões. Também aparecem R$ 700 mil em transporte ou deslocamento, R$ 602,9 mil para produção de programas de rádio, televisão ou vídeo, R$ 338 mil na categoria “diversas a especificar” e R$ 287,1 mil destinados à cessão ou locação de veículos.
Roberto Cidade (União Brasil) registra R$ 5,11 milhões em receitas. Do total informado, R$ 3,85 milhões têm origem na direção nacional da legenda e R$ 1,15 milhão na direção estadual.
A mobilização de rua também representa a maior despesa registrada pela campanha de Cidade, alcançando R$ 1,63 milhão. Na sequência aparecem R$ 750 mil em serviços advocatícios, R$ 750 mil para produção de programas de rádio, televisão ou vídeo, R$ 500 mil em comícios e R$ 480 mil em impulsionamento de conteúdos.
A candidata Maria do Carmo (PL) registra R$ 4,53 milhões em recursos, sendo R$ 4,5 milhões provenientes do partido e R$ 30 mil declarados como recursos da própria candidata.
Entre suas principais despesas estão R$ 1,28 milhão em serviços advocatícios e R$ 1,02 milhão em serviços prestados por terceiros. A campanha também registra R$ 873,5 mil destinados a pesquisas ou testes eleitorais, R$ 658,9 mil em publicidade por materiais impressos e R$ 496 mil em atividades de militância e mobilização de rua.
David Almeida (Avante), por sua vez, registra R$ 4,3 milhões recebidos da direção nacional do partido.
Os serviços advocatícios concentram R$ 1,1 milhão das despesas apresentadas. Outros R$ 1 milhão foram destinados à produção de programas de rádio, televisão ou vídeo. A campanha também registra R$ 815,1 mil em militância e mobilização de rua, R$ 700 mil em serviços prestados por terceiros e R$ 299,8 mil em eventos de promoção da candidatura.
Gilberto Vasconcelos (PSTU) registra R$ 31 mil em receitas, dos quais R$ 26 mil foram repassados pela direção nacional do partido.
Entre os gastos informados estão R$ 9 mil em serviços advocatícios, R$ 2,5 mil em serviços contábeis e R$ 1 mil em impulsionamento de conteúdos.
Cabo Daciolo (Mobiliza) registra R$ 10 mil provenientes do partido. Na consulta realizada para esta reportagem, não constavam dados de prestação de contas que permitissem detalhar suas principais despesas.
Já Isael Munduruku (Rede) não apresentava, na consulta, informações disponíveis sobre ranking de doadores e principais despesas da campanha.
A ausência dessas informações não significa, necessariamente, ausência de movimentação financeira. Pelas regras eleitorais, candidaturas e partidos devem informar à Justiça Eleitoral os recursos recebidos durante a campanha e apresentar as prestações de contas nos períodos determinados. A falta da prestação parcial ou a apresentação de informações que não correspondam à movimentação efetiva é analisada pela Justiça Eleitoral no julgamento das contas finais.
Contas ainda não são definitivas
As informações disponíveis nesta fase da campanha ainda não representam o balanço definitivo das candidaturas. A prestação parcial apresentada em setembro deveria incluir a movimentação financeira e os recursos estimáveis em dinheiro registrados desde o início da campanha até 8 de setembro.
Além disso, durante a campanha, recursos financeiros recebidos devem ser informados à Justiça Eleitoral em até 72 horas. Após o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, começa o período para encaminhamento das prestações de contas referentes à votação. Para as candidaturas que não disputarem eventual segundo turno, o prazo termina em 3 de novembro.
Os dados definitivos, portanto, poderão apresentar valores diferentes dos atualmente disponíveis, à medida que novas receitas e despesas sejam registradas e as campanhas apresentem suas prestações finais.
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