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Derrota de Roseana deixa família Sarney sem mandato eletivo após ciclo de 72 anos

Ex-governadora terminou disputa pelo Senado em terceiro lugar; a partir de fevereiro de 2027, família não terá representante em cargo eletivo pela primeira vez desde o início da trajetória política de José Sarney

A derrota de Roseana Sarney (MDB) na disputa pelo Senado Federal em 2026 encerra, ao menos temporariamente, um ciclo eleitoral de 72 anos da família Sarney na política brasileira. Pela primeira vez desde a eleição de José Sarney como suplente de deputado federal, em 1954, nenhum integrante da família saiu das urnas com um mandato.

Roseana era a única representante da família na disputa eleitoral deste ano. Na corrida pelas duas vagas do Maranhão no Senado, a ex-governadora terminou na terceira colocação, com 1.171.634 votos, o equivalente a 16,41% dos votos válidos.

As duas cadeiras ficaram com André Fufuca (PP), que liderou a votação com 1.530.187 votos, ou 21,43%, e Lahesio Bonfim (Novo), que recebeu 1.471.859 votos, correspondentes a 20,61%.

O resultado, contudo, não deixa a família imediatamente sem mandato. Roseana foi eleita deputada federal em 2022 para a legislatura de 2023 a 2027 e continua titular da cadeira, embora atualmente não esteja em exercício. O mandato se encerra em 31 de janeiro de 2027. Assim, a ausência de integrantes da família em cargos eletivos passa a ocorrer efetivamente a partir de 1º de fevereiro, com a posse dos parlamentares escolhidos nas eleições deste ano.

Trajetória começou na década de 1950

A presença eleitoral dos Sarney começou em 1954, quando José Sarney foi eleito suplente de deputado federal pelo Maranhão. Ele assumiu pela primeira vez uma cadeira na Câmara dos Deputados em junho de 1955 e, posteriormente, conquistou mandatos próprios como deputado federal nas eleições de 1958 e 1962.

A partir dali, Sarney construiu uma das mais longas carreiras da política brasileira. Deixou a Câmara em 1966 para assumir o Governo do Maranhão e, posteriormente, foi eleito senador pelo estado. Décadas depois, também representaria o Amapá no Senado.

O episódio de maior projeção nacional de sua trajetória ocorreu em 1985. Eleito indiretamente vice-presidente na chapa de Tancredo Neves, Sarney assumiu a Presidência da República em 15 de março daquele ano após a internação de Tancredo. Com a morte do presidente eleito, em 21 de abril, passou a ocupar definitivamente o cargo.

Sarney permaneceu no Palácio do Planalto até março de 1990 e comandou o país durante a transição democrática. Em seu governo foi convocada a Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição Federal promulgada em 5 de outubro de 1988.

Após deixar a Presidência, Sarney voltou ao Senado, desta vez eleito pelo Amapá, onde permaneceu até 2015.

Filhos e neto mantiveram presença eleitoral

A continuidade política da família também ocorreu por meio dos filhos do ex-presidente.

José Sarney Filho, conhecido como Zequinha Sarney, iniciou a trajetória eletiva como deputado estadual do Maranhão, entre 1979 e 1983, e depois chegou à Câmara dos Deputados. Ao todo, exerceu nove mandatos consecutivos como deputado federal, entre 1983 e 2019. Também ocupou o Ministério do Meio Ambiente em diferentes governos.

Roseana Sarney seguiu trajetória própria e tornou-se uma das principais figuras da política maranhense nas últimas décadas. Eleita deputada federal pela primeira vez em 1990, chegou ao Governo do Maranhão em 1995.

Ao longo da carreira, exerceu quatro mandatos como governadora, passou pelo Senado entre 2003 e 2011 e retornou à Câmara dos Deputados em 2023.

A terceira geração também chegou às urnas. Adriano Sarney, filho de Sarney Filho e neto do ex-presidente, foi eleito deputado estadual em 2014 e reeleito em 2018. A partir de 2019, após derrotas de Roseana e Sarney Filho nas eleições anteriores, chegou a ser o único integrante da família com mandato eletivo.

Adriano não conseguiu uma nova reeleição em 2022 e, em 2026, decidiu não concorrer. Neste ano, permaneceu à frente da Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos do Maranhão (MOB), cargo administrativo e não eletivo.

Com Roseana como única integrante da família nas urnas em 2026, sua derrota para Fufuca e Lahesio impediu a renovação da presença eleitoral iniciada pelo pai há mais de sete décadas.

O resultado não significa necessariamente o afastamento definitivo dos Sarney da atividade política, mas estabelece um marco: a partir de fevereiro de 2027, pela primeira vez em décadas, nenhuma das três gerações da família estará no exercício de um mandato conquistado nas urnas.

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