Manaus voltou a amanhecer encoberta por fumaça nesta terça-feira (6), com comprometimento da qualidade do ar em diferentes áreas da capital amazonense. Dados de monitoramento apontaram níveis considerados de moderados a muito ruins ao longo da manhã.
De acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), por volta das 8h57, os sensores instalados em diferentes pontos da cidade registravam concentrações de partículas finas PM2,5 entre 25 e 94,7 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
Os índices mais elevados foram identificados principalmente nas regiões central e Sul de Manaus. O maior registro chegou a 94,7 µg/m³, enquanto outro ponto alcançou 92 µg/m³. Pela escala adotada pelo sistema, os dois valores estão na categoria de qualidade do ar “muito ruim”.
Diferentes regiões apresentam níveis elevados
Além dos pontos mais críticos, outras áreas monitoradas apresentaram concentrações de 67,3, 66,9, 65,1, 61,6, 54,5, 52,7, 52,3 e 52,2 µg/m³, índices classificados como ruins.
Também foram observados registros de 47,7, 42,5 e 39,3 µg/m³, dentro da faixa moderada. Em outro ponto monitorado, a concentração chegou a 25 µg/m³.
Os níveis podem variar de uma região para outra devido a fatores como direção e velocidade dos ventos, condições meteorológicas e concentração local de fumaça e outros poluentes.
O próprio sistema Selva informa que utiliza sensores de baixo custo e que as medições servem como indicativo das condições atmosféricas nos locais monitorados.
Fumaça volta a preocupar moradores
O novo episódio acontece após Manaus enfrentar sucessivos períodos de fumaça durante a atual estiagem.
Em setembro, a capital registrou episódios ainda mais críticos. No dia 23, por exemplo, o monitoramento da Defesa Civil Municipal apontou concentração média de partículas finas de 188,5 µg/m³, índice classificado como “péssimo”.
Na ocasião, Manaus chegou a ser colocada em estado de atenção devido ao agravamento da poluição atmosférica.
Dados divulgados anteriormente pelas autoridades municipais apontaram que parte da fumaça que chega à capital pode ser transportada pelos ventos a partir de áreas com queimadas no Amazonas e em estados vizinhos.
A ocorrência de incêndios florestais e queimadas durante o período de estiagem contribui para o aumento de partículas suspensas na atmosfera.
Partículas podem atingir profundamente os pulmões
O PM2,5 é formado por partículas extremamente pequenas, com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por causa do tamanho reduzido, esse material consegue penetrar profundamente no sistema respiratório.
A exposição à fumaça pode provocar sintomas como irritação nos olhos e na garganta, tosse, coriza, dor de cabeça, chiado no peito e falta de ar.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma, bronquite ou doenças cardiovasculares estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição.
Cuidados durante período de fumaça
A Secretaria Municipal de Saúde orienta a população a reduzir o tempo de exposição em ambientes externos quando houver grande concentração de fumaça.
Também é recomendado evitar exercícios físicos ao ar livre, principalmente atividades como corrida, caminhada e ciclismo, que aumentam a frequência respiratória.
Outra orientação é manter a hidratação constante e, sempre que possível, fechar portas e janelas durante os períodos em que a fumaça estiver mais intensa.
Quando a exposição for inevitável, máscaras como a N95 podem ajudar a diminuir a inalação de partículas finas.
Pessoas que apresentarem sintomas leves podem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Em casos graves, a orientação é buscar atendimento de urgência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.
Queimadas em Manaus podem ser denunciadas à Guarda Municipal pelo telefone 153. Em incêndios de grandes proporções, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo 193.
*Com informações do G1 Amazonas


