O governo federal não atendeu ao pedido de reforço aéreo para combater os incêndios florestais que atingem o Amazonas. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (9) pelo comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, durante entrevista ao Jornal do Amazonas 1ª Edição, da Rede Amazônica.
Segundo o comandante, a corporação solicitou apoio em setembro, mas recebeu uma resposta negativa. Conforme relatado por Muniz, o pedido envolvia quatro aeronaves destinadas a reforçar as operações de combate às queimadas, principalmente em regiões onde o acesso por terra ou pelos rios é limitado.
“Nós já tivemos um retorno negativo, de que não seria possível apoiar. Reforço e apelo, mais uma vez, que o Estado do Amazonas precisa somar esforços com o governo federal para fazer um enfrentamento qualificado”, declarou o coronel.
O comandante destacou que o reforço aéreo é considerado fundamental para ampliar a capacidade de resposta das equipes, sobretudo no interior do estado, onde os militares enfrentam dificuldades logísticas para chegar aos locais atingidos pelas chamas.
“Certamente, toda ajuda, principalmente através de aeronaves, seria e é muito importante nesse momento”, acrescentou.
Em setembro, o Governo do Amazonas havia anunciado uma solicitação formal de apoio ao Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O pedido, encaminhado em 18 de setembro, previa a disponibilização de duas aeronaves com capacidade para transportar 3,2 mil litros de água cada uma, para atuação até o final de novembro.
A diferença entre as duas aeronaves mencionadas no pedido divulgado anteriormente e as quatro citadas pelo comandante nesta sexta-feira ainda não foi esclarecida.
De acordo com Muniz, não é a primeira vez que o Amazonas solicita reforço federal para enfrentar incêndios florestais. O comandante afirmou que um pedido semelhante já havia sido realizado em 2024, também sem atendimento.
Estado amplia operações contra queimadas
Diante do avanço dos incêndios, o Governo do Amazonas intensificou as ações de combate por meio da Operação Amazonas+Verde, que mobiliza aproximadamente mil militares e brigadistas em 33 municípios.
Entre 1º de setembro e 6 de outubro deste ano, o estado contabilizou 4.370 focos de calor, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados pelo Executivo estadual.
Para reforçar as operações, o governo contratou uma aeronave especializada no combate a incêndios florestais. O equipamento começou a atuar na quinta-feira (8), com operações na região do Distrito Industrial, em Manaus, e no município de Iranduba, na Região Metropolitana.
O Corpo de Bombeiros também ampliou sua estrutura no interior do Amazonas. Entre maio de 2025 e maio de 2026, a presença permanente da corporação passou de 11 para 25 municípios, enquanto o efetivo aumentou de 692 para 1.651 militares.
Apesar da ampliação, o comandante ressaltou que as dimensões territoriais do Amazonas e as dificuldades de deslocamento continuam sendo desafios para o enfrentamento das ocorrências.
Até o momento, não foi localizada uma manifestação oficial do governo federal esclarecendo os motivos da resposta negativa relatada pelo comandante. Também não foi possível confirmar, por meio de documento oficial, os detalhes da recusa.


